Cientistas do Centro de Inovação e Pesquisa RIKEN (CPR) do Japão conseguiram induzir a diminuição do ritmo de crescimento de tumores através de uma terapia que marca células cancerosas com diferentes moléculas terapêuticas. Com isso, o grupo foi capaz de prevenir o até mesmo a formação de cânceres em camundongos

O tratamento experimental consiste em direcionar as células cancerosas com um composto que dificulta seu agrupamento e a formação de novo tumores. Nos já existentes, foram utilizados outros compostos, estes mais tóxicos que tinham o poder de destruir as células tumorais. 

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O principal diferencial desta nova terapia em relação aos tratamentos atuais é que na quimioterapia e na radioterapia, os efeitos não se limitam às células cancerosas do corpo. Com isso, chegam os efeitos colaterais conhecidos, como a que dos cabelos, náuseas, exaustão e comprometimento do sistema imunológico

O que é o tratamento

Cancer Cells
Objetivo do novo tratamento é ser menos invasivo. Imagem: crystal light/Shutterstock

A nova terapia é focada apenas nas células cancerosas, algo que já é pesquisado há muito tempo por oncologistas. “Conseguimos pela primeira vez tratar o câncer usando química catalisada por metal em camundongos”, declarou Katsunori Tanaka, um dos coordenadores do estudo. 

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Todo o processo é baseado no uso de enzimas artificiais a base de ouro, as chamadas metaloenzimas, que são usadas para marcar proteínas dentro do corpo. Tanto o agente de marcação quanto as metaloenzimas são injetadas no corpo separadamente. O composto é projetado para ser glicosilado, o que significa que tem cadeias de açúcar chamados Glicanos fixados em sua superfície.

Gráfico mostra a ação das metaloenzimas e dos agentes de marcação nos camundongos. Crédito: RIKEN

Alguns Glicanos específicos são escolhidos para se ligarem às células-alvo no corpo. Com isso, diferentes células cancerosas são identificadas por tipos exclusivos de lectinas, que são proteínas que ligam as cadeias de açúcar e estão incorporadas em suas membranas externas. 

Para este experimento, a equipe construiu uma metaloenzima glicosilada que teria a capacidade de se ligar às lectinas específicas no exterior das células tumorais e combatê-las. Depois disso, o agente de marcação reage com as enzimas para marcar a proteína de interesse na célula cancerosa, com isso, apenas essas células, podem ser marcadas e atingidas posteriormente. 

“Pudemos usar nosso sistema para transportar metaloenzimas para células cancerosas em camundongos vivos, que reagiram com agentes de marcação para fornecer terapias”, declarou Tanaka. “Elas reduziram o aparecimento e o crescimento do tumor. O próximo passo é certamente a aplicação clínica em humanos”, completou o pesquisador. 

Com informações do MedicalXpress 

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