Uma doença cerebral misteriosa tem intrigado especialistas em New Brunswick, no Canadá. Segundo a BBC News, até o momento foram registrados 48 casos de pessoas com diversos sintomas parecidos, desde dores musculares à atrofia muscular.

Além desses, os pacientes, com idade entre 18 e 85 anos, apresentaram também: agressividade, ansiedade, depressão, espasmos, insônia, comprometimento da linguagem e rápida perda de peso. Alguns tiveram até alucinações, incluindo a Delusão de Capgras Transitória, um distúrbio psiquiátrico no qual o paciente começa a acreditar que um amigo próximo ou membro da família foi substituído por um impostor.

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Roger Ellis, de 60 anos, é morador da região onde os casos ocorreram e começou a ter grande parte dos sintomas mencionados em 2019.

“Ele tinha delírios, alucinações, perda de peso, agressividade, fala repetitiva…”, disse o filho de Ellis, Steve, à BBC. “A certa altura, ele não conseguia nem andar. Então, no espaço de três meses, fomos levados a um hospital para nos dizer que eles acreditavam que ele estava morrendo – mas ninguém sabia por que”, contou Steve.

Doença cerebral misteriosa atinge região do Canadá. Imagem: Google
Doença cerebral misteriosa atinge região do Canadá. Imagem: Google

Para os médicos, o caso se tratava da doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD), uma doença degenerativa cerebral fatal e rara que faz com que os pacientes apresentem sintomas como memória insuficiente, mudanças de comportamento e dificuldades de coordenação. Mas os testes de Ellis deram negativos, junto com inúmeros outros testes.

“Nossa primeira ideia comum é que há um elemento tóxico adquirido no ambiente desse paciente que desencadeia as mudanças degenerativas”, disse o médico de Ellis, Alier Marrero, à emissora britânica.

Existe uma conhecida variante da CJD que está associada à ingestão de carne contaminada infectada com a doença da vaca louca. A CJD também pertence a uma categoria mais ampla de doenças cerebrais como Alzheimer, Parkinson e ALS.

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Ainda sem respostas para o que vem causando a condição, neurobiologistas, pesquisadores e um órgão federal de saúde pública iniciaram uma pesquisa sobre o caso, onde acreditam que pode se tratar de uma conexão com a exposição a uma “excitotoxina” como o ácido domóico, que causou vários incidentes de intoxicação alimentar em 1987, na província vizinha da Ilha do Príncipe Eduardo.

“Temos que voltar ao princípio, voltar à estaca zero”, disse o neurologista Neil Cashman da Universidade de British Columbia, que ressaltou que “neste ponto [inicial da doença], basicamente, nada pode ser excluído.”

A teoria é que a doença seja adquirida e não genética, e estão sendo levados em consideração fatores ambientais, exposições de estilo de vida, viagens, histórico médico e fontes de alimentos e água.

Apesar da maioria dos pacientes com sintomas terem se manifestado a partir de 2018, segundo o neurologista Dr. Georges-L-Dumont, da University Hospital Center de Moncton, os sintomas foram constatados pela primeira vez em 2015. Na época era um paciente, um “caso isolado e atípico”, disse ele. De lá para cá, acredita-se que até seis pessoas já possam ter morrido devido a doença.

Segundo Steve Ellis, a condição do pai se estabilizou após a progressão inicial, entretanto, ele segue em um asilo especializado, já que precisa de ajuda nas atividades diárias e tem problemas com a fala e o sono.

O americano dirige um grupo de apoio no Facebook para famílias afetadas pela condição e espera explicações sobre o que fez o pai adoecer.

“Eu sei que eles estão trabalhando nisso, mas como isso aconteceu?” questiona.

“Como família, estamos cientes do fato de que ele provavelmente vai morrer por causa disso, e esperamos que aconteça antes ou depois disso, as respostas serão respostas – e responsabilidade, se for algo que poderia ter sido evitado”, finalizou.

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