No último sábado (15), o Brasil perdeu uma de suas maiores atrizes. Em mais de sete décadas de carreira, Eva Wilma colecionava papéis memoráveis no teatro, no cinema e na televisão. A atriz morreu em São Paulo, vítima de complicações de um câncer no ovário, que havia descoberto apenas uma semana antes, no dia 7. Eva foi internada no Hospital Israelita Albert Einstein, em 15 de abril, para tratar de problemas cardíacos e renais.

Oito em cada 10 casos de câncer de ovário são diagnosticados em estágio avançado

Assim como aconteceu com Eva Wilma, em 80% dos casos desse tipo de câncer, a doença é identificada já em estágio avançado, de acordo com reportagem da CNN Brasil divulgada no último dia 8 de maio, data em que se celebra o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Ovário.

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Por ser uma patologia dita “silenciosa” (que não apresenta sintomas específicos em seus estágios iniciais), e devido à ausência de um método eficaz de rastreamento em mulheres assintomáticas, a maioria dos casos são diagnosticados tardiamente, quando o câncer já se disseminou do ovário para outros órgãos da região pélvica e abdominal, reduzindo as chances de recuperação.

Entre os tumores de origem ginecológica, o câncer de ovário é o mais letal, estando, também, entre os dez tipos de câncer que mais matam mulheres no Brasil. Arte: Lightspring – Shutterstock

No Brasil, mais de 6 mil mulheres por ano desenvolvem câncer de ovário, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Estatísticas mais atualizadas de mortes pela doença no país são de 2019, quando foram registrados mais de 4 mil óbitos.

Mais letal dos cânceres femininos

Entre os tumores de origem ginecológica, o câncer de ovário é o mais letal, estando, também, entre os dez tipos de câncer que mais matam mulheres no Brasil.

De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, no máximo 20% de mulheres sobrevivem a essa enfermidade – sendo o câncer que apresenta o menor índice de cura entre as localizações genitais. Isso porque a localização profunda dos ovários na pélvis feminina dificulta o diagnóstico precoce.

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Principais sinais de alerta

Recomenda-se procurar um ginecologista imediatamente ao perceber problemas como: dor e aumento do volume abdominal, urgência urinária (causada pela compressão da bexiga), perda de peso, sangramento anormal, dificuldade para evacuar e alterações digestivas.

Dor e aumento do volume abdominal, urgência urinária (causada pela compressão da bexiga), perda de peso, entre outros sintomas, podem ser sinais de câncer no ovário.
Imagem: Kittima05 – Shutterstock

“Não é incomum que mulheres sintam cólica e dor abdominal, por exemplo. Por isso, os sinais são negligenciados. Quando eles se tornam mais intensos é um indicativo de que a doença pode estar se espalhando para a cavidade pélvica”, explicou à CNN o médico Leonardo Lordello, da Sociedade Brasileira de Patologia.

Em mais de 80% dos casos, o câncer de ovário tem natureza hormonal. A maior incidência está entre as mulheres acima de 60 anos. Além da idade, os principais fatores de risco estão relacionados à infertilidade, menstruação precoce, menopausa tardia, nuliparidade (não ter gerado filhos), obesidade e tabagismo.

Fatores genéticos também influenciam no aumento na probabilidade de desenvolvimento da doença. Mutações de origem hereditária, em especial dos genes BRCA1 e BRCA2, estão ligadas principalmente ao câncer ovário (e também ao de mama). Mulheres com Síndrome de Lynch têm potencializado no organismo o risco de tumores no cólon e no reto, que podem ocasionar o surgimento do câncer de ovário.

Mulheres com histórico da doença na família devem procurar um oncologista ou cirurgião oncológico. Se o especialista identificar a necessidade, poderá encaminhar a paciente a um geneticista, que avaliará a possibilidade de realização de um teste genético para analisar o grau de risco de desenvolvimento do tumor. 

Diagnóstico precoce é difícil, mas possível e fundamental

Quando descoberto na fase inicial, a taxa de sobrevida chega a 90% das pacientes. Um exame ginecológico anual, em mulheres com mais de 40 anos, ultrassonografia transvaginal, tomografia de abdômen e pelve e a ressonância são os meios eficazes para descobrir um tumor ainda em fase inicial e possibilitar maiores chances de cura.

O diagnóstico definitivo é feito com a retirada do ovário, que segue para biópsia. Com isso, além de confirmar ou descartar o câncer, o profissional consegue identificar as principais características da doença, como tipo de tumor, tamanho, estágio em que se encontra, grau de agressividade, perfil biológico e capacidade de se espalhar, além do potencial de resposta aos tratamentos disponíveis. 

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