O maior iceberg do mundo, que se descolou recentemente da Antártida, pode vagar pelo oceano durante anos antes de se quebrar e derreter. A informação foi dada por um cientista da Agência Espacial Europeia (ESA) na última sexta-feira (21), 

Batizado de A-76, o iceberg tem três vezes o tamanho da cidade de São Paulo e foi detectado pela primeira vez por cientistas da Pesquisa Britânica na Antártida. Posteriormente, foi confirmado pelo Centro Nacional do Gelo, dos Estados Unidos, com auxílio de imagens obtidas pelo satélite Sentinel 1A, da ESA.

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Apesar de os icebergs se soltarem regularmente de plataformas de gelo na Antártida, a região onde o A-76 se quebrou não costuma apresentar eventos do tipo e teve poucas mudanças nas últimas décadas. ”Tornou-se um garoto-propaganda, obviamente, e haverá muita atenção nele”, declarou o cientista sênior da ESA, Mark Drinkwater, ao Phys.org.

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Eventualmente, o A-76 escapará do Mar de Weddel, que fica ao redor da Antártida, e mergulhará no Atlântico Sul, mas esse processo deve levar alguns anos. “Vimos icebergs que podem durar até 18 anos que foram rastreados ao redor da Antártica se permanecerem em águas relativamente frias”, disse Drinkwater. “Mas é provável que, uma vez que essa coisa seja ejetada do Mar de Weddel para o Atlântico Sul, se desintegre rapidamente”.

Mais mudanças que o imaginado

Segundo Drinkwater, os satélites ajudaram a acompanhar as mudanças que aconteceram no continente congelado. Segundo ele, por conta da baixa densidade demográfica da Antártida, essas mudanças não seriam facilmente percebidas sem os equipamentos de monitoramento. “O continente que todos pensam como uma parte benigna e congelada do mundo que nunca muda é na verdade muito dinâmico”, disse o cientista.

As plataformas de gelo da Antártida perdem grandes pedaços para o mar regularmente, mesmo quando o gelo fresco se forma no interior delas. Drinkwater exemplifica o processo com as movimentações de uma conta bancária.

“Partes da Antártida estão atrasadas, e isso é em grande parte uma consequência do aumento da temperatura ou grandes eventos que removeram o gelo e desestabilizaram as próprias plataformas”, diz ele. “O clima é o responsável por essas mudanças. E, a longo prazo, é claro, terá impactos abrangentes em diferentes locais ao redor da Antártida”, defende.

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