Europa, uma das luas de Júpiter, pode ser ainda mais promissora para a existência de vida. O satélite tem uma crosta gelada cobrindo um vasto oceano global e, agora, cientistas acreditam que a camada rochosa logo abaixo pode ser quente o suficiente, com vulcões submarinos.

A nova pesquisa, publicada recentemente na Geophysical Research Letters, junto a modelos feitos em computador, sugere que a atividade vulcânica aconteceu no fundo do mar, em um passado recente. Essa ação pode, inclusive, ainda estar acontecendo. A Nasa espera ter mais detalhes sobre a atividade com a missão Europa Clipper, a ser lançada em 2024. A sonda vai sobrevoar a fria lua em 2030 e coletar medições que podem ajudar os cientistas.

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Por enquanto, sem qualquer confirmação dada por Clipper, os pesquisadores se baseiam nas evidências de que Europa abriga um oceano entre a crosta congelada e o interior rochoso. Lá dentro, o calor pode ser o suficiente para derreter essa camada rochosa parcialmente, processo capaz de alimentar os vulcões submarinos.

Uma explicação para o manto rochoso de Europa ser quente o suficiente é a grande atração gravitacional que Júpiter exerce sobre a lua. Enquanto o satélite gira em torno do planeta gigante, o interior de Europa se flexiona. Esse contorcionismo força energia no interior da lua, que vaza como calor. Quanto mais flexão, mais calor é gerado.

Modelo do interior da lua Europa, de Júpiter
As descobertas dos cientistas sugerem que o interior de Europa, lua de Júpiter, pode consistir em um núcleo de ferro, cercado por um manto rochoso em contato direto com o oceano sob a crosta congelada. Imagem: NASA/JPL-Caltech/Michael Carroll

A pesquisa publicada pelos cientistas liderados por Marie Běhounková, da Charles University, na República Tcheca, mostra também onde o calor se dissipa e como derrete esse manto rochoso, aumentando a probabilidade de vulcões no fundo do mar. O estudo chega depois de décadas de especulações sobre a atividade vulcânica na lua.

Io, outro satélite natural de Júpiter, é obviamente vulcânico, em atividade que se deve ao mesmo tipo de aquecimento interno causado pela atração do gigante gasoso. Como Europa está mais distante do planeta do que Io, os cientistas se perguntam se o efeito é semelhante, mesmo com a superfície gelada.

As análises dos cientistas sugerem ainda que a atividade vulcânica em Europa é mais provável de acontecer perto dos polos. Se esses vulcões estiverem mesmo presentes, é possível que alimentem um sistema hidrotérmico, similar ao que auxilia a vida no fundo dos oceanos da Terra.

“Nossas descobertas fornecem evidências adicionais de que o oceano subterrâneo de Europa pode ser um ambiente adequado para o surgimento de vida. Europa é um dos raros corpos planetários que pode ter mantido atividade vulcânica ao longo de bilhões de anos, e possivelmente o único além da Terra que tem grandes reservatórios de água e uma fonte de energia de longa duração”, destacou Marie Běhounková.

Via: Nasa

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