Além da Covid-19, outra doença está deixando a Índia em alerta. Trata-se da mucormicose, também conhecida como “fungo negro“, doença que pode causar mutilações no corpo e até levar à morte. Mas quais os riscos do Brasil sofrer com esse fungo?

O Olhar Digital conversou com o infectologista Marcelo Simão, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), que explicou como ocorre a contaminação pela mucormicose. De acordo com especialista, esse fungo existe, além da Índia, também no Brasil e em praticamente todos os lugares do mundo e muita gente já teve contato. No entanto, um sistema imunológico forte geralmente consegue lidar com ele sem que os sintomas se manifestem.

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“Esse fungo existe naturalmente na natureza. Realmente a infecção é rara, mas pode causar uma micose muito grave, pode acometer o nariz, a pele, o estômago e órgãos”, explicou o médico. Segundo Simão, a Covid-19 torna o cenário favorável para a infecção por fungos, já que os pacientes em tratamento costumam ficar com o sistema imunológico mais fraco.

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Como funciona a mucormicose?

A mucormicose é uma infecção rara causada pela exposição a mofo mucoso que é comumente encontrado no solo, plantas, esterco, frutas e vegetais em decomposição. “Aparece bastante também em quem faz tratamento para leucemia, diabéticos, transplantados… No geral, em pessoas com sistema imunológico mais fraco. As drogas para combater a Covid-19, a internação, tudo isso favorece o surgimento do fungo”.

Apesar disso, o especialista ressaltou que o quadro nessa gravidade, com tantas contaminações, parece ser exclusivo da Índia, que sempre conviveu com forte presença da mucormicose. “Foi realmente uma surpresa que esse fungo esteja se espalhando dessa maneira na Índia. Mas parece ser algo particularmente de lá, que sempre teve muitos casos de mucormicose. Não acho que o Brasil corra algum risco desse tipo“, salientou Simão.

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O tratamento da doença é feito usando drogas específicas para o combate do fungo. De acordo com o infectologista da SBI, como não se trata de um vírus, não há necessidade de isolamento do paciente, já que o fungo está presente na natureza.

De acordo com a New Delhi Television (NDTV), a Índia registrou 11.717 casos em andamento da infecção até a última terça-feira (25). O ministério da saúde agora declarou oficialmente a emergência sanitária com epidemia.

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