Um meteoro earthgrazer ocorrido no Rio Grande do Sul no último domingo (30) pode ter sido gerado por um meteoroide interestelar, ou seja, vindo de fora do Sistema Solar. Essa é a conclusão da BRAMON, a Rede Brasileira de Observação de Meteoros, após analisar o registro do meteoro feito por duas estações em Taquara, no Rio Grande do Sul, e em Tangará, em Santa Catarina.

Confira o vídeo:

publicidade

A passagem do meteoro ocorreu às 23h02 do último domingo, 30 de maio de 2021, e foi registrado pelas estações CFJ7 localizada no Observatório Heller & Jung, em Taquara, no Rio Grande do Sul, e TBT1 em Tangará, Santa Catarina, respectivamente, administradas pelo Dr. Carlos Jung e por Thiago Boesing.

Leia também

Análises

A partir das análises das imagens registradas nas estações, a BRAMON concluiu que o meteoro foi um earthgrzer. Ele atingiu a atmosfera da Terra em um ângulo de 6,1°, em relação ao solo, e começou a brilhar a 162,7 km de altitude a sul de Capão Comprido, RS. Seguiu em direção ao norte a 230,7 mil km/h, percorrendo 243,6 km em 3,8 segundos, e desapareceu a 137,0 km de altitude, a leste de Carlos Barbosa, RS.

Trajetória do Meteoro pela Atmosfera. Créditos: BRAMON
Trajetória do Meteoro pela Atmosfera. Créditos: BRAMON

Um meteoro earthgrazer é um meteoro que atinge a atmosfera da Terra de raspão e percorre imensas distâncias nas camadas mais altas da atmosfera. Geralmente um earthgrazer não brilha tão intensamente e não apresenta surtos de luminosidade (explosões). Dependendo do tamanho e da velocidade, o objeto pode escapar de volta para o espaço, como uma pedra que ricocheteia na água, quando atirada rente a um lago.

Possível origem interestelar

Outro fato que chama a atenção é a grande velocidade alcançada por esse meteoro. Meteoros muito rápidos podem ter origem cometária, vindos dos confins do Sistema Solar, ou até mesmo, de fora dele.

Órbita hiperbólica do meteoroide. Créditos: BRAMON
Órbita hiperbólica do meteoroide. Créditos: BRAMON

No caso do earthgrazer registrado no Rio Grande do Sul, as análises preliminares indicam que ele foi gerado por um meteoroide vindo de fora do Sistema Solar. Se isso for confirmado, será o primeiro meteoro interestelar registrado pela BRAMON, o que mostra que o fenômeno é raríssimo e que vale a pena ser estudado mais profundamente.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!