A infestação de ratos na área urbana e rural na região leste da Austrália ainda não acabou. E pior: pode nunca mais ter fim. De acordo com o professor associado da Curtin University, Bill Bateman, se os invernos na região não se tornarem mais “frios, os ratos terão recursos o ano todo e isso se tornará crônico”.

Ele explica que as grandes infestações dos mamíferos geralmente ocorriam uma vez a cada década, mas que as mudanças climáticas podem torná-las mais constantes.

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“Quando uma infestação de ratos termina, ela simplesmente desaparece da noite para o dia. Não estamos vendo isso agora”, afirmou Steve Henry, pesquisador da agência científica nacional e que estuda pragas de animais na Austrália há três décadas.

A situação é tão grave que até mesmo fontes de água potável estão na mira dos roedores, deixando várias pessoas doentes, sem falar nos prejuízos incalculáveis nas plantações. Aliado a isso, o mau cheiro da urina e fezes prejudica ainda mais o convívio. Inclusive, vários animais de estimação e seres humanos já foram mordidos por ratos.  

Diante do fato inusitado, muitas imagens já viralizam nas redes sociais com os ratos mantendo presença ao lado de gatos, plantações, pessoas, quintais, ruas e etc. O problema é grave e medidas de combate já estão sendo discutidas pelas autoridades sanitárias da Austrália. 

Causas da infestação de ratos

A invasão dos ratos é explicada pela rápida adaptação da espécie Mus musculus, que suporta o longo período de seca do país e também da rápida reprodução. Em entrevista ao portal Science Alert, Henry disse que um casal de ratos é capaz de reproduzir até 500 em uma estação favorável. Trata-se de uma verdadeira praga. 

“Tivemos um verão muito chuvoso, o que influenciou no crescimento da vegetação, situação que contribuiu para aumentar a quantidade de comida para os ratos”, disse o cientista ambiental Charles Stuart. 

Outro problema que já foi identificado pelos pesquisadores é que os predadores naturais dos ratos, como as aves de rapina, estão entrando em extinção no país por conta da urbanização e cultivo de monoculturas em largas escalas.  

Austrália tenta conter infestação de ratos com veneno mais potente

A invasão dos ratos é vista pelas autoridades como um risco à cadeia alimentar, pois os raticidas utilizados na tentativa de eliminá-los já está afetando várias espécies, de lesma a peixes. Inclusive, estudos já identificaram a presença de veneno em cobras que se alimentam de sapos, em lagartos que comem vegetação e até em caracóis. 

Uma alternativa que o governo australiano estuda é usar o veneno bromadiolona, chamado de “napalm para ratos”. Ele funciona mais rápido do que o fosforeto de zinco, mas também permanece no corpo do animal morto por mais tempo. Por isso ainda não foi aprovado pelas autoridades.

Segundo o biólogo da Curtin University, Bill Bateman, os ratos bioacumulam os venenos e, como répteis, conseguem sobreviver um pouco mais em comparação a outras espécies, mesmo após a ingestão. “Ou seja, os ratos se tornam bombas-relógio tóxicas, envenenando predadores que possam comê-los”, explicou. 

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