O modelo adotado por gigantes do streaming, com Netflix, Spotify e Amazon Prime podem servir de referência para o setor automotivo. Essa é a opinião de Andy Palmer, ex-executivo da Aston Martin e da Nissan. Em artigo na Insider, Palmer defende o modelo de assinatura de veículos como forma de atrair a geração Z.

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“Simples e sem amarras, os serviços de assinatura parecem viáveis para todo tipo de produto”, avalia Palmer no artigo. De acordo com ele, a indústria automotiva vem passando por mudanças significativas na última década e que é necessário ter maior atenção aos novos hábitos de consumo.

“Com o modelo Netflix se tornando tão popular em outros segmentos, é de se esperar que os consumidores comecem a exigir esse nível de flexibilidade para itens mais caros”, escreve o especialista.

“Executivos do setor automotivo têm dedicado maior parte do tempo e da atenção a aspectos técnicos e físicos dos carros que produzem”, opina. “No entanto, mudanças no comportamento dos consumidores estão fomentando outra grande mudança para a indústria”.

Para Palmer, o estilo de vida e a renda financeira dos Millennials e da Geração Z são a explicação para o sucesso dos serviços por assinatura. As novas gerações teriam uma relação diferente com os veículos, avalia.

“Para os baby boomers, os carros eram sinal de prosperidade no pós-guerra”, cita. “Para a Geração X”, ele diz, “os carros simbolizavam status e riqueza”.

Mudança gradual

Ainda na avaliação de Andy Palmer, os empresários estão, aos poucos, percebendo a demanda e adequando seus negócios. Ele cita o exemplo da Volvo, que lançou um serviço de assinaturas em 2020.

Segundo o executivo, o grande trunfo em adotar o modelo por assinatura é conciliar a conveniência de aplicativos como Uber com a possibilidade de o cliente ter um veículo sempre à disposição.

Carro elétrico sendo abastecido
Popularização dos veículos elétricos pode provocar mudanças na maneira de comercializar carros. Crédito: Guteksk7 / Shutterstock

O aumento da frota de veículos elétricos, tendência do setor, pode também influenciar na maneira de se consumir veículos. “Após certo tempo de uso, as baterias ficam menos eficazes”, observa Palmer. “Isso significa que você alcançará uma quilometragem cada vez menor com uma carga”.

“Em vez de substituir todo o veículo, o que seria caro e ineficiente, o leasing da bateria se tornar o padrão para os motoristas em um futuro próximo”, prevê.

“O setor é conhecido por sua resistência a mudanças e pode achar difícil lidar com isso”, acrescenta Palmer. “A boa notícia é que isso requer uma mudança de marketing, em vez de operacional, que é mais fácil de gerenciar”, complementa.

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