Cientistas conseguiram observar, pela primeira vez na história, o encontro entre um buraco negro e uma estrela de nêutrons – um evento tão raro que ninguém teve a mesma sorte, até hoje.

A colaboração LIGO-Vigro-Kagra de ciências anunciou a descoberta por meio de um estudo publicado no Astrophysical Journal Letters, em edição que deve ir ao ar em 1º de julho de 2021. Segundo ela, não foi apenas um evento, mas sim dois, observados com 10 dias de espaço entre eles.

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Buracos negros se formam quando uma estrela entra em colapso após a sua fase de supernova, adquirindo uma gravidade tão intensa que nada – nem mesmo partículas eletromagnéticas, como a luz – consegue escapar dele. Já as estrelas de nêutrons são núcleos de estrelas gigantes (10 vezes a massa do Sol ou mais), que entraram em colapso após a fase de supernova.

Normalmente, um buraco negro e uma estrela de nêutrons não vão interagir entre si, mas a possibilidade sempre foi uma hipótese considerada pela ciência, sobretudo no campo de estudo de ondas gravitacionais, que nos permitem observar a eventos a anos luz de nossa posição no espaço.

Segundo as informações divulgadas, os primeiros sinais de ondas gravitacionais decorrentes desse encontro vieram em 5 de janeiro de 2020. Eles envolveram o encontro entre um buraco negro com 8,9 vezes a massa do Sol e uma estrela de nêutrons 1,9 vez maior que o nosso astro.

Dez dias depois, em 15 de janeiro, foi a vez de um buraco negro de massa 5,7 vezes maior que a do Sol “dar de cara” com uma estrela de nêutrons 1,5 vez maior. Em ambos os casos, as estrelas de nêutrons foram engolidas pelos buracos negros e as duas colisões ocorreram a mais ou menos 900 milhões de anos luz de nossa posição.

Inicialmente, os colaboradores da LIGO-Virgo-KAGRA estavam descrentes, uma vez que apenas um dos sensores de ondas gravitacionais identificaram o choque. O segundo encontro, porém, foi mais marcante e os cientistas puderam afirmar a veracidade de ambos os episódios.

Com base nas informações analisadas, cientistas estimam que encontros do tipo acontecem pelo menos uma vez por mês a pelo menos 1 bilhão de anos luz de distância da Terra.

Não foi o primeiro ineditismo da semana: ontem (28), o Olhar Digital noticiou a observação de um novo tipo de supernova, o fenômeno explosivo que, como já explicamos, representa a “morte” de uma estrela.

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