As pessoas têm tido muito a dizer, visto que o audiovisual está tomando conta das mídias. Depois do sucesso do Clubhouse, outras empresas como o Facebook também anunciaram versões de bate-papo falado em sua plataforma, inaugurando uma nova tendência no mercado. Segundo investidores, porém, o futuro já aponta para uma nova direção: a popularização do áudio curto.

É perceptível que o formato de grandes reuniões em áudio, inaugurado pelo Clubhouse no ano passado, tem se tornado uma febre no mundo todo. As salas da nova rede social impulsionaram outras plataformas a se adaptarem ao modelo. O Facebook, por exemplo, criou sua própria versão de mídia em áudio, o Live Audio Rooms.

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Especialistas do The Verge, no entanto, atestam que essas reuniões em grande escala estão com os dias contados. As novas métricas de KPIs (instrumento de desempenho de estratégia de gestão) indicam uma predisposição para o formato de pequenos áudios. Isso porque, com o (esperado) fim da pandemia de Covid-19, a rotina das pessoas deve ganhar novo ritmo nos próximos meses e as experiências compartilháveis se tornarão mais rápidas.

Inspirados no formato Clubhouse, empresas de mídias apostam em áudios curtos para o futuro das redes sociais. Créditos: Shutterstock

Já existem em circulação algumas startups voltadas especificamente para o mercado de audiovisual em formato curto. Empresas como Beams, Quest, Pludo e Racket apostam seus investimentos na capacidade dos usuários produzirem conteúdo de áudio fragmentado para as redes sociais.

“Acredito que as empresas de áudio de trechos curtos têm uma chance muito maior de sucesso do que aplicativos como o Clubhouse”, afirma Jake Chapman, um investidor da Racket. Ele também diz que os aplicativos especializados em áudio de formato longo em breve cairão em desuso devido ao custo elevado de se transcrever as conversas, bem como de otimizar a grande quantidade de conteúdo.

Mesmo as grandes plataformas, como o Facebook, também observam tal oportunidade de mercado: além do citado o Live Audio Rooms, a empresa de Mark Zuckerberg já engatilhou um projeto em apoio a criadores independentes de áudio.

Denominado “Soundbites, o novo recurso do Facebook vem sendo desenvolvido para que pessoas comuns criem e compartilhem áudios curtos junto ao feed. Seria, segundo os desenvolvedores, uma espécie de TikTok, mas com clipes de áudio.

Para melhor visualizar os esforços dessas empresas em emplacar o formato de áudio curto, basta pensar em pequenas anotações de voz. Essas notas sonoras, contudo, não aconteceriam ao acaso, mas seriam definidas por um limite de tempo. Além do mais, não poderiam ser editáveis. 

Seria como pegar o aspecto social do Clubhouse e colocar uma restrição de tempo. Imaginou?

Mas por que falar em áudio curto?

Alan Sternberg, cofundador da Beams (uma nova empresa de audiovisual que têm arrecadado cerca de 3 milhões de dólares ao ano), diz que a chegada dos aplicativos de áudio curto vêm de uma confluência de múltiplos fatores. Um deles é a melhoria dos microfones dos celulares.

Além disso, cabe mais uma vez mencionar o fato do Clubhouse ter revolucionado a ideia de áudio social e a transcrição rápida de voz para texto.

Em conformidade, Austin Petersmith, cofundador da já citada Racket, acredita que dar às pessoas um microfone online e uma restrição de tempo torna mais fácil a abordagem do podcasting, processo midiático que emerge a partir da publicação intuitiva de arquivos de áudio na internet.

A fala de Petersmith é, porém, um pouco equivocada, já que nenhum desses novos aplicativos de áudio fragmentado têm o intuito de disponibilizar feeds do tipo RSS (em tempo real) para distribuir o conteúdo. Portanto, eles não podem ser considerados podcasts. Ainda assim, a fala do investidor indica uma grande percepção de negócio.

Entende-se que o podcasting é um processo midiático um tanto quanto antigo, mas que está tendo seu momento Big Tech na atualidade. A Amazon, por exemplo, comprou recentemente uma empresa de hospedagem de podcasting. Da mesma maneira, o Spotify gastou mais de um bilhão de dólares em 2019 para a veiculação de podcasts. E não resta dúvidas: essas empresas cresceram na ideia de gravação de áudio móvel.

“Acho que o problema com RSS, quando você olha para podcasting, é como uma tecnologia descentralizada que não foi feita para ser uma rede social”, diz Sternberg, sugerindo que é por isso que aplicativos como o Beams de áudios curtos precisam existir.

“Centenas de milhões de pessoas estão fazendo TikToks ativamente, centenas de milhões de pessoas estão blogando ativamente e há menos de um milhão de pessoas fazendo podcast ativamente”, completa.

O fato é que ninguém, até pouquíssimo tempo atrás, realmente pensou que a comunicação por áudio estaria na berlinda. Comunicar por meio da voz parece estar intrínseco ao ser humano desde os tempos mais remotos. Antenadas, as grandes mídias viram uma oportunidade de lucrar ainda mais com isso e agarrou-a, principalmente por meio da veiculação e segmentação de anúncios em programas. Acontece, agora, o mesmo com o formato de salas de áudio explorado pelo Clubhouse.

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Segundo os especialistas, caso algum desses aplicativos de áudio curto em desenvolvimento ou mesmo o recurso apresentado pelo Facebook decole, haverá inúmeros ganhos para o negócio de redes sociais, principalmente de caráter financeiro.

Agora o verdadeiro obstáculo para essas novas startups está em se firmar no mercado. O Facebook promete vir em peso, com um planejamento de cerca de 1 bilhão de dólares para os criadores de sua plataforma no próximo ano.

Não obstante, sempre resta a dúvida: até quando as pessoas vão querer ouvir o formato de áudio?

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