Os clientes da Lyft em Miami, na Flórida (EUA), poderão viajar em um carro autônomo da Argo AI, startup apoiada pela Ford e pela Volkswagen, até o final do ano, de acordo com anúncio feito nesta quarta-feira (21). A novidade também chega para quem pedir uma carona por meio do aplicativo (app) em Austin, no Texas, todavia só no início de 2022.

A ação é o movimento mais recente de qualquer empresa para disponibilizar mais dessa tecnologia ao público. Não só isso, mas também é uma conquista da montadora estadunidense, que durante anos prometeu lançar um negócio de veículos autônomos em grande escala, incluindo robotáxis e entregas sem motorista até 2021 – algo adiado para 2022 por conta da pandemia de covid-19.

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Carros autônomos da Ford estarão disponíveis para viagens com o app da Lyft no fim de 2021. Imagem: Lyft/Divulgação
Carros autônomos da Ford estarão disponíveis para viagens com o app da Lyft em Miami e em Austin, nos EUA. Imagem: Lyft/Divulgação

O acordo com a Lyft é a primeira iniciativa de “convite” feita pela Ford ao público em geral para “passear” em seus carros autônomos. O tamanho da frota será “modesto” a princípio, com “menos de 100 carros” em ambas as cidades em 2022, conforme informou um porta-voz. A marca afirma, no entanto, que está “construindo as bases” para a implantação de 1 mil veículos do tipo em vários mercados nos próximos cinco anos.

E o primeiro passo ocorrerá em Miami, onde os carros autônomos da Argo estão sendo testados nos últimos anos. Caso os clientes da Lyft estiverem em uma área geográfica definida, eles terão a opção no app de viajar em um veículo inteligente até o destino escolhido. Inicialmente, os automóveis contarão com dois motoristas de segurança – que ficarão nos bancos da frente para qualquer tipo de emergência.

O anúncio também sinaliza que, apesar de vender sua divisão de direção autônoma à Toyota no início deste ano, a Lyft segue interessada em manter uma posição firme na indústria de carros autônomos. O app de carona já faz testes com veículos do tipo, por exemplo, em Las Vegas (com a Aptiv), e em Phoenix, (com a Waymo, que terminou os testes em 2020).

Carros autônomos da Ford estarão disponíveis para viagens com o app da Lyft no fim de 2021. Imagem: Lyft/Divulgação
Carro autônomo da Ford. Imagem: Lyft/Divulgação

E mais: mesmo sem departamento próprio para veículos autônomos, a Lyft não quer ser apenas “passiva” neste tipo de negócio. A parceria com a Argo, por exemplo, tem um “acordo de acesso à rede” que dará ao app de caronas uma participação acionária de 2,5% da startup em troca dos dados sobre as viagens sem motorista. Contudo, as três empresas envolvidas reiteram que as informações levantadas em Miami e Austin são apenas para “descobrir como fazer crescer um negócio de robotáxi em grande escala”.

“A Argo usará, de forma anônima, serviços e dados de frota da Lyft que permitirão à startup superar os desafios enfrentados por outras empresas de veículos autônomos, concentrando-se em onde podem construir um negócio sustentável e validar a implantação por meio de dados de segurança localizados”, explicou o comunicado oficial, assinado em conjunto pela Ford, Argo e Lyft.

Que tal pedir uma carona com a Lyft e viajar em um carros autônomo da Ford. Imagem: Lyft/Divulgação

A negociação pode vir a ser muito lucrativa para Lyft, ainda mais se a Argo continuar com os planos de abrir o capital na bolsa no valor de US$ 12,4 bilhões, segundo a Bloomberg. Assim, a startup poderia seguir a rota tradicional de oferta pública inicial ou poderia tentar uma fusão com uma empresa de aquisição visando um propósito específico (SPAC). De qualquer forma, dinheiro é o que não falta, visto que a Ford investiu US$ 1 bilhão na empresa, em 2017, além da Volkswagen, que aportou mais US$ 2,6 bilhões no ano passado.

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Além de Miami e futuramente em Austin, a Argo tem testado a quarta geração de carros autônomos também em Washington (DC) nos últimos anos, bem como em Pittsburgh, Detroit e Califórnia. A empresa também se prepara para lançar um serviço autônomo de entrega com a Volkswagen na Alemanha, aplicando a tecnologia autônoma de quinta geração, a partir de 2025.

Fontes: The Verge e Bloomberg

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