O relatório “Emprego em crise: trajetória para melhores empregos na América Latina pós-Covid-19”, feito pelo Banco Mundial, apontou que a crise gerada pela pandemia ainda vai afetar por um longo período o salário de trabalhadores do Brasil e da América Latina.

Segundo o documento, os efeitos se arrastarão por pelo menos nove anos e deixarão cicatrizes com o aumento do desemprego, informalidade e também redução de salários.

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“No Brasil e no Equador, embora os trabalhadores com ensino superior não sofram os impactos de uma crise em termos salariais, e sofram apenas impactos de curta duração em matéria de emprego, os efeitos sobre o emprego e os salários do trabalhador médio ainda perduram nove anos após o início da crise”, diz o relatório.

“Na região da ALC [América Latina e Caribe], as cicatrizes são mais intensas para trabalhadores menos qualificados, sem ensino superior”, acrescenta o documento.

De acordo com informações da Agência Brasil, a declaração, que foi divulgada em junho e destrinchada e aprofundada pelos autores na terça-feira (20) através de um seminário na internet, salientou a necessidade de medidas no pós-pandemia, como modificações no seguro-desemprego que não alcança trabalhadores informais, sendo eles justamente os mais afetados na crise pandêmica.

Assim, o documento alerta para a importância de políticas de inclusão para esses profissionais e outras adaptações necessárias para apoiar a retomada do mercado de trabalho.

“A crise econômica gerada pela pandemia da Covid-19 ressaltou a importância de renovar instrumentos de proteção social a fim de proteger a renda contra choques canalizados por meio do mercado de trabalho, no Brasil e no mundo”, afirma outro trecho do escrito.

Cicatrizes da pandemia: salários dos brasileiros serão afetados por nove anos, diz Banco Mundial. Imagem: Brenda Rocha/iStock
Cicatrizes da pandemia: salários de brasileiros serão afetados por nove anos, diz Banco Mundial. Imagem: Brenda Rocha/iStock

Em 2019, no Brasil, somente 17,7% da média mensal de trabalhadores desempregados (12,6 milhões) receberam benefícios de desemprego, podendo contar apenas com o Bolsa Família para manter a renda.

Para o Banco Mundial, o período de pagamento do seguro no país, que varia de três a cinco meses, é inferior ao de outros países, bem como seu acesso também é mais difícil no Brasil do que o é em outros lugares do mundo.

“O alto valor do pagamento inicial dos programas de desemprego, juntamente com sua curta duração, resulta em incentivos ao uso excessivo de benefícios do desemprego, mas com um apoio abaixo do ideal, que não beneficia aqueles propensos a períodos de desemprego mais longos”, diz o relatório.

Atualmente, para ter direito ao seguro-desemprego pela primeira vez é preciso ter trabalhado com carteira assinada por, ao menos, um ano dentro dos 18 meses anteriores ao desligamento.

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Políticas de apoio para auxiliar trabalhadores que estão buscando emprego de forma autônoma também foram destacadas.

“Para enfrentar esses desafios, serão necessárias reformas regulatórias dos atuais benefícios de desemprego e reinvestimentos das economias para desenvolver sistemas de apoio modernos que reduzam o risco moral, mas também atendam a metade menos protegida do mercado de trabalho, para quem quase nenhuma despesa é dedicada”, defende o documento.

Em conclusão, o relatório sugere melhorias para o setor em prol do trabalhador, como diminuir o período de carência para elegibilidade ao primeiro pedido de seguro-desemprego, e aumentar a exigência para pedidos posteriores.

Reduzir o valor da contribuição em períodos ininterruptos também é uma sugestão, além da adoção de programas de seguro-desemprego para trabalhadores autônomos formais.

Alguns desses programas já existem em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), e são bem mais rigorosos se comparados ao processo de elegibilidade de trabalhadores formais assalariados.

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