Mesmo sendo acusadas pela justiça norte-americana de monopolizar o mercado e impedir o crescimento de concorrentes, as big techs, como são chamadas as maiores empresas do setor de tecnologia, têm colhido cada vez melhores frutos nos negócios.

Estamos falando mais especificamente das “big five”, grupo no qual se enquadram Facebook, Apple, Microsoft, Amazon e Google, cujas iniciais formam o acrônimo FAMAG.

publicidade

Dessas empresas, a Microsoft e a Apple são as primeiras companhias dos EUA a atingir a marca de US$ 2 trilhões em avaliação de mercado.

Ilustração das principais big techs: Alphabet, Amazon, Apple, Facebook e Microsoft
Principais empresas de tecnologia, que formam o acrônimo FAMAG, sendo a Alphabet controladora do Google. Ascannio/Shutterstock

Com a pandemia de Covid-19 dominando o mundo desde março de 2020, as companhias de tecnologia cresceram ainda mais, fazendo com que suas ações se tornassem extremamente valiosas para a carteira de investidores em todo o globo.

Em janeiro de 2020, por exemplo, uma ação da Apple custava US$ 100 (algo em torno de R$ 451,00, na cotação da época). Em dezembro, subiu para US$ 164,10 (considerando a conversão da época, seria cerca de R$ 850,00). 

Em setembro do ano passado, o índice S&P 500, que monitora as 500 maiores companhias de capital aberto nos EUA, era quase todo composto por ações FAMAG. No fim de 2020, os papéis representavam quase metade dos ganhos anuais do índice. 

A confiança dos investidores em empresas de tecnologia tem crescido cada vez mais, e ações não param de subir. Imagem: Sutadimages/Shutterstock

Mesmo com uma pequena queda em 2021, a confiança de investidores no setor continua alta.

“Isso porque o crescimento das empresas de tecnologia já vem acontecendo há algum tempo, o que é uma tendência secular — tem tudo a ver com os hábitos da humanidade, com a forma como as pessoas se comunicam, resolvem problemas, trabalham”, disse Felipe Arrais, especialista em investimentos globais da Spiti, em entrevista à CNN Brasil. “As big techs têm um poder de fogo alto para investir em pesquisa, em desenvolvimento e estar na vanguarda dos mercados em que atuam.”

Para Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo, estamos vivendo a década das big techs. “Se olharmos para as realmente grandes, como a Apple e a Amazon, elas estão com a rentabilidade crescente, e com grandes ganhos já há muito tempo”, disse ele.

Na opinião do executivo, essas companhiras têm lucro e sabem inovar. “A Microsoft, que surgiu como uma empresa de sistema operacional, se reinventou e lucra hoje como uma empresa de computação em nuvem e games”, afirmou.

Leia mais: 

O que atraiu investidores?

Crise, oportunidade e mudanças geracionais no mercado financeiro. Essa mistura pode ter sido o principal motivo para o crescimento das ações de empresas de tecnologia. 

Arrais concorda com Knudsen que essa alta não é recente e já acontecia muito antes da pandemia, tendo ínicio em meados de 2008, com a crise econômica. “A crise exigiu que o governo interferisse para salvar o sistema bancário. O governo intercedeu, começaram os estímulos monetários, e os bancos centrais passaram a inflar o balanço”, afirmou.

“Com isso, vimos uma tendência de cortes de juros, o que diminuiu as taxas de descontos nas ações. E, quando falamos em empresas de tecnologia, estamos falando de empresas nas quais, muitas vezes, o lucro vai se materializar somente no futuro”, disse ele, e completa: “quando a taxa de desconto é menor, você dá um fôlego para as empresas performarem bem”. 

Além disso, o especialista entende que a geração millennial — pessoas nascidas entre 1980 e 1994 —, por dominar o mercado, acaba focando em investir em ações que têm a ver com seu dia a dia, o que aumenta a visibilidade de ativos de companhias de tecnologia.

“As ações de tech tem um certo hype, porque a tecnologia é algo ‘cool’. E é mais fácil se interessar por um tema legal de maneira ampla, do que pensar em uma carteira diversificada”, comentou. 

Knudsen acredita que a aceleração e a velocidade exponencial de inovação e de crescimento também foram fatores importantes para a valorização das ações. “As empresas estão crescendo e todo investidor gosta de dinheiro.”  

Para os especialistas, a tecnologia é uma área que continuará em alta nos próximos anos. É por esse motivo que as ações tendem a continuar em uma crescente no curto, médio e longo prazos.

Como investir em empresas internacionais estando no Brasil

Para investir em ações de empresas de outros países, como as FAMAG, o investidor tem algumas opções.

A primeira é investir em um fundo, que vai realocar os investimentos em empresas como Facebook, Apple, Microsoft, Amazon e Google. Em um período de 12 meses, segundo a Vitreo, a rentabilidade do fundo é de 32,72%.

Outra opção é comprar Brazilian Depositary Receipts (BDRs) na bolsa de valores do Brasil, a B3, que funcionam como certificados que representam ações de empresas listadas em bolsas de outros países. Com eles, é possível investir em empresas como Apple, Netflix e Amazon, listadas na Nasdaq, por exemplo. 

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!