O Clubhouse saiu de sua versão beta na última quarta-feira (21), mas já é um sucesso no mundo todo. Ele está em funcionamento desde 2020 e tem se popularizado de maneira exponencial nos últimos meses, especialmente depois que grandes executivos e famosos começaram a utilizar a plataforma. O grande trunfo da rede é a percepção de instantaneidade, com salas de conversa em tempo real. Esse atributo, porém, pode desencadear riscos jurídicos e problemas com a reputação das pessoas.

Depois que celebridades e grandes empresários como Elon Musk (dono da Tesla e da Space X) ingressaram nas salas do Clubhouse, a rede social de bate-papo ficou ainda mais conhecida. A rápida popularização fez com que o ambiente do aplicativo se tornasse propício para debates e discussões profissionais em torno de temáticas macro e de tendências de mercado.

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O sucesso do Clubhouse é tanto que outras empresas, como o Facebook, prontamente se adaptaram a nova demanda, com a criação do Live Audio Rooms (salas de bate-papo) e do recente Soundbites, recurso que permite a reprodução de emojis em áudio.

Recentemente o Clubhouse anunciou o fim da sua versão beta. Com isso, os usuários do iOS e do Android não precisam mais de um convite para ter acesso ao aplicativo de áudio. Resolvido o problema da acessibilidade, a plataforma agora precisa se concentrar em desenvolver melhores políticas de privacidade e segurança para seus usuários, visto que o caráter imediato de suas salas, ainda que positivo para o desenrolar dos debates, pode desencadear riscos jurídicos.

Clubhouse
Conversas em tempo real do Clubhouse estão sujeitas a riscos jurídicos. Empresa diz que vai reforçar sua política de segurança. Imagem: Boumen Japet/Shutterstock

De acordo com as estatísticas gerais do aplicativo, o conteúdo colaborativo gerado dentro das salas de bate-papo é produtivo. No entanto, o formato também abre espaço para assuntos polêmicos e/ou sensíveis. Em abril deste ano, o aplicativo fechou várias salas e removeu usuários que violavam as diretrizes da comunidade, que proíbe discurso de ódio a qualquer pessoa ou grupos de pessoas. Ainda assim, a política de segurança da plataforma não é totalmente eficaz.

O propósito da ferramenta é viabilizar a comunicação entre usuários exclusivamente por meio de áudio ao vivo. Dessa forma, as informações não ficam arquivadas. Além disso, não há espaço para vídeos, comentários, curtidas, textos ou fotos, ressalvada a imagem de perfil do usuário. Esses elementos são importantes em processos jurídicos.

Uma outra questão é que as pessoas que estão participando das salas e das construções ao vivo, apesar de estarem por lá como pessoa física, acabam levando situações, cases e exemplos das suas vivências enquanto colaboradoras de diferentes empresas – o que, no entendimento popular, pode colocá-la na posição de uma representante da marca em que trabalha.

Essa exposição merece atenção das empresas, pois um posicionamento mal colocado por um de seus colaboradores ou, até mesmo, mal interpretado, pode prejudicar a imagem corporativa que está por trás do representante, ocasionando, assim, danos no que diz respeito às questões reputacionais da marca e, consequentemente, prejudicar as relações de negócios.

A especificidade do Clubhouse abriu espaço para discussões de diversas questões jurídicas, como compliance, por exemplo. O termo compliance engloba um conjunto de ações e condutas de uma empresa para se adequar às regras e normas definidas por leis, órgãos regulamentadores e padrões internos ou externos.

É preciso destacar que a plataforma foi criada na Califórnia e, portanto, foi redigida baseada nas leis norte-americanas. Os usuários internacionais são informados apenas de que, com a utilização do serviço, os dados são transmitidos aos Estados Unidos, onde são utilizados pelos servidores dos parceiros tecnológicos da empresa operadora. Dessa forma, os brasileiros precisam estar atentos quando precisarem recorrer à Justiça por questões de segurança no Clubhouse.

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Vale ainda dizer que as interações dentro da plataforma não são criptografadas de ponta a ponta. Quer dizer que os dados das conversas não são protegidos de forma a que o conteúdo só possa ser acessado pelos dois extremos da comunicação: o remetente e o destinatário. A isso se deve ao fato de que as salas de conversas são geralmente muito grandes, com centenas de pessoas.

O novo grande desafio do Clubhouse, portanto, consiste em melhorar a questão da privacidade de usuários em uma esfera mais global. No Brasil, espera-se uma eventual adequação da rede social às legislações locais, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A empresa se manifestou dizendo que vai reforçar a política de proteção de dados em breve, mas enquanto isso não acontece é prudente que os fãs de bate-papo ao vivo fiquem em alerta.

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