O rastreamento de contatos, o isolamento social, o uso de máscaras e testagem em massa continuam sendo os pilares do controle da pandemia de Covid-19, especialmente quando permanecemos praticamente não vacinados. Recentes estudos indicam, porém, que a variante Delta torna esse trabalho ainda mais difícil. Isso porque a nova cepa é altamente contagiosa e muito mais transmissível do que as outras variações do coronavírus.

Com mais de um ano de pandemia, as recomendações oficiais de saúde já se tornaram conhecidas. Primeiro é necessário identificar todos os novos casos de Covid-19, testando a população em massa e isolando os contaminados para evitar a propagação da doença. Realizar medidas de distanciamento social no sentido de reduzir o contágio entre as pessoas também é recomendado para frear a transmissão, sendo o lockdown a medida mais extrema.

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Além disso, o uso de máscaras já se tornou obrigatório. Elas ajudam a reduzir o vírus inalado para pessoas saudáveis e também o vírus exalado de pessoas infectadas.

Há ainda a possibilidade de localizar todos os contatos de um indivíduo que foi contaminado e colocá-los em quarentena durante o período de incubação da doença (14 dias). Essa medida, que recebe o nome de rastreamento de contatos, tem grande potencial de desacelerar a transmissão do vírus, apontam pesquisas.

Sabe-se que o SARS-CoV-2 é altamente infeccioso, portanto, sem o rastreamento as pessoas assintomáticas continuariam sem saber que estão infectadas e poderiam infectar muitas outras. O rastreamento retrospectivo do contatos também é importante para garantir que se descubra de quem cada pessoa contraiu a infecção.

Realizar o rastreamento de contatos, contudo, não é tarefa fácil e os especialistas acreditam que essa dificuldade é ainda maior com relação as novas variantes, especialmente a Delta, cepa altamente perigosa e transmissível.

Segundo a Medical Xpress, um estudo da Universidade de Oxford, descobriu que a quantidade de vírus liberado por uma pessoa infectada com a variante Delta é mil vezes maior do que um paciente acometido pela cepa primária do coronavírus, identificada na China no ano passado. 

A pesquisa também mostrou que o tempo médio desde a exposição até a infecção era de seis dias com o vírus original e de quatro dias com a Delta. As projeções sugerem ser mais complexo identificar os contatos antes de serem infectados, especialmente com a variante.

Outro estudo, que ainda não foi revisado por pares, aponta que a Delta tem duas vezes mais chances de causar hospitalização e morte.

Calendários distintos de imunização provocam migração por vacinas
Rastreamento de contatos pode ajudar a conter a transmissão da Covid-19, mas a vacinação é o método mais eficaz, especialmente contra as variantes. Créditos: Shutterstock

Experiência com o rastreamento de contatos

A Austrália é uma das pioneiras com relação aos métodos de rastreamento de contatos e lockdown para conter a pandemia. Com um regime de “Covid zero”, autoridades de Sydney e de outras cidades endureceram as restrições locais como forma de frear a transmissão da doença país.

Com a cepa original do coronavírus, os australianos tiveram sucesso e registraram poucas hospitalizações e mortes pela doença. Agora, porém, eles sentem um novo surto de Covid-19, provocado pela variante Delta. As restrições são questionadas.

Cientistas atestam que a luta com o aumento de casos em Sydney não significa que o rastreamento e os testes de contato não funcionem. Apenas indica que as restrições mais duras são particularmente valiosas em situações mais específicas. Quando se tem uma mutação muito mais poderosa, como é o caso da Delta, novas estratégias são necessárias.

A vacinação em larga escala é a solução mais acertada para conter a Delta e outras variantes na opinião dos pesquisadores.

Segundo eles, os baixos índices de vacinação na maioria dos países deixa a população vulnerável ​​a surtos graves, especialmente com as variante mais transmissíveis como a Delta. Em países como Israel, que vacinou mais de 60% de sua população, embora o Delta esteja causando surtos, as pessoas estão muito mais protegidas de hospitalização e morte. Os números refletem isso.

Enquanto a vacinação não avança, os especialistas reforçam as já conhecidas medidas para evitar o contágio: testagem em massa, isolamento, uso de máscaras e rastreamento de contatos.

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