Um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que 60% dos pacientes que tiveram Covid-19 ainda apresentam sequelas da doença cerca de um ano após a recuperação. A pesquisa acompanhou 750 pessoas que contraíram o vírus no primeiro semestre de 2020 e que passaram pelo Hospital das Clínicas.

Os resultados mostram que pelo menos 30% ainda sofrem de alterações pulmonares sérias. Apesar disso, o estudo indica que esses casos ainda podem ser revertidos. Outras sequelas da Covid-19 comuns incluem ansiedade, insônia, perda de memória, dificuldades cognitivas e problemas cardiológicos.

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“Há casos em que os pulmões ainda apresentam inflamações mesmo um ano depois da alta hospitalar. Já vimos que essas inflamações podem virar fibroses (cicatrizes pulmonares), que são permanentes”, explica Carlos de Carvalho, diretor da divisão de pneumologia do Instituto do Coração (InCor) ao Estadão.

Sequelas da Covid-19

De acordo com Carvalho, é comum que vírus respiratórios contaminem células localizadas nas vias respiratórias, principalmente no nariz e na garganta. Esse processo limita os danos a longo prazo causados por essas doenças. No entanto, o vírus da Covid-19 se aproveita disso e faz com que essas vias sejam uma porta de entrada para o sistema respiratório inferior, como o pulmão, permitindo que o vírus atinja a corrente sanguínea e chegue em outras partes do corpo.

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“Percebemos que os pacientes que demoraram mais a serem encaminhados para o Hospital das Clínicas chegaram em um estado mais grave, e isso também agrava as sequelas da Covid-19. Quanto maior o tempo de internação e a gravidade das infecções, maior a tendência de haver mais sequelas a longo prazo”, completa o especialista.

O pesquisador ressalta ainda que a pesquisa foca em contaminados na primeira leva da Covid-19 e que, assim como muitos dos sintomas do vírus mudaram, as sequelas também podem ter sido alteradas durante esse período.