Um artigo publicado pela revista Science aponta que alguns seres humanos são menos afetados pela Covid-19 por ter uma espécie de “imunidade híbrida” ao vírus responsável pela doença.

Essas pessoas são capazes de produzir um número de anticorpos muito alto e com muita flexibilidade, ou seja, com maior facilidade para se adaptar e combater as variantes da Covid-19. “No geral, a imunidade híbrida parece ser impressionantemente potente”, disse o autor do estudo, Shane Crotty.

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Representação gráfica do SARS-CoV-2
Covid-19: pesquisadores acreditam que ‘imunidade híbrida’ é uma forte resposta para variantes. Imagem: Kateryna Kon/Shutterstock

Paul Bieniasz, virologista da Universidade de Rockefeller, nos Estados Unidos, acredita que as pessoas com esse tipo de imunidade estarão muito protegidas contra as novas variantes que podem surgir do SARS-CoV-2.

“Pode ser um pouco mais especulativo, mas eu também diria que estes indivíduos teriam algum grau de proteção contra os vírus do tipo SARS que ainda não infectaram humanos”, afirmou Bieniasz ao relatar que testou seis tipos de variantes nessas pessoas e todas foram neutralizadas pelos anticorpos.

Quem são as pessoas com ‘imunidade híbrida’?

De acordo com a pesquisa, algumas pessoas que foram infectadas pela Covid-19 e tomaram vacinas com mRNA são capazes de desenvolver essa imunidade especial. “Estas pessoas estão na melhor posição para combater o vírus. Os anticorpos no sangue dessas pessoas podem até neutralizar o SARS-CoV-1, o primeiro coronavírus, que surgiu há 20 anos. E este vírus é muito, muito diferente do SARS-CoV-2”, ressalta a virologista Theodora Hatziioannou.

“Depois das infeções naturais, os anticorpos parecem evoluir e tornam-se não apenas mais potentes, mas também mais amplos. Assim, tornam-se mais resistentes a mutações do vírus”, explica.

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Ainda não se sabe se todas as pessoas infectadas que tomaram uma vacina mRNA são capazes de desenvolver a ‘imunidade híbrida’. No entanto, acredita-se que a maioria crie anticorpos mais poderosos.

Hatziioannou afirmou que em um estudo com 14 pacientes que se enquadravam nas especificações da ‘imunidade híbrida’, todos desenvolveram altos níveis de anticorpos.

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