Um estudo conduzido pela Universidade do Alaska-Fairbanks prova que as condições químicas que levam à acidificação do oceano na região do Golfo do Alaska podem acelerar ou diminuir de acordo com as flutuações do ambiente em cada estação. Segundo os especialistas, o volume dessas mudanças impactam a vida marinha de forma tão intensa que o oceano pode ficar mais ácido ou mais alcalino até mesmo de um dia para o outro.

“Normalmente”, explicou Claudine Hauri, pesquisadora da instituição, ao Eureka Alert, “nós pensamos na acidez do oceano como uma espécie de pressão lenta no ambiente, de forma que ela muda gradualmente a química do carbono nas águas”. Entretanto, o que a pesquisa assinada por ela mostra é que as flutuações químicas ocorrem apesar do aumento da concentração de carbono na atmosfera – o que leva à piora do aquecimento global.

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Imagem da Baía de Alaik, região impactada pela acidificação oceânica do Golfo do Alaska
A Baía de Alaik, no Golfo do Alaska, é uma região afetada pelos ciclos de acidificação oceânica vividos na região. Imagem: Alberto Loyo/Shutterstock

Segundo o paper, há casos onde ciclos massivos de acidificação do Golfo do Alaska acontecem a cada 10 anos, mas esse ciclo não é muito fixo: “condições químicas se desgastam por vários anos em áreas de alto mar, antes de se estabilizarem de novo ou mesmo se aprimorarem”,disse o co-autor Andrew McDonnell. “Ainda não sabemos como os organismos respondem a isso, mas geralmente, alguns deles são bem sensíveis a esses tipos de alterações ambientais”.

A equipe de cientistas estabeleceu um modelo que coloca em análise um período de 23 anos (1980 – 2013), considerando aspectos físicos, biogeoquímicos e hidrológicos do oceano, reproduzindo em computador os dados de todo o golfo, do passado até agora. Com isso, o estudo foi capaz de identificar flutuações na química das águas em um ciclo de quase uma década, direcionados pela força do giro oceânico do Pacífico Norte. 

Entende-se por “giro oceânico” qualquer grande sistema de correntes marinhas rotativas, em boa parte relacionadas a grandes ventos do oceano. Esses sistemas são causados por um efeito chamado “força de Coriolis”, que consiste, basicamente, da força gerada pelos movimentos da Terra junto aos seus eixos. É essa força que determina a circulação de ventos oceânicos.

No caso do Alaska, quando o giro oceânico é mais forte, os ventos mais poderosos promovem uma acidificação maior das águas. Foi um movimento oceânico particularmente forte que promoveu o aquecimento incomum das águas a norte do golfo em 2016, por exemplo – um episódio que os cientistas da época chamaram de “bolha”:

“A bolha veio logo depois de um evento muito forte de acidificação do oceano”, explicou Hauri. “Primeiro, alguns organismos marinhos se sentiram estressados pelo aumento da acidez das águas. Depois, eles foram atingidos em cheio por esse aquecimento”.

De acordo com ela, o estudo deve servir de base para que novas observações – que durem décadas – possam determinar a real relação disso com o aquecimento global, além de informar com mais detalhes qual o tipo de impacto que esse fator de estresse pode trazer ao ambiente da região.

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