Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) é estimado que mais de 35,6 milhões de pessoas no mundo sofrem com Alzheimer, a expectativa é de que esse número dobre até 2030, com o envelhecimento da população. Com isso, a ciência corre para encontrar tratamentos efetivos contra a principal causa de demência no mundo e para concretizar, nesta terça-feira, 21 de setembro, ocorre o Dia Mundial da Doença de Alzheimer.

Na busca por tratamentos, recentemente a Food and Drug Administration (FDA), órgão regulatório equivalente a Anvisa nos Estados Unidos, aprovou um novo medicamento para combater a doença: o Aducanumab.

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A droga é um anticorpo monoclonal que atua sobre o acúmulo de proteína beta-amiloide no cérebro. O medicamento passou pelas três fases de testes e recebeu parecer positivo da FDA. As pesquisas chegaram a ser paralisadas após poucos indicativos de que o remédio funcionava, mas uma nova análise indicou os benefícios.

Apesar disso, a aprovação foi polêmica. O corpo diretor da agência votou majoritariamente contrário a liberação do medicamento. No entanto, mesmo assim, a agência aceitou o pedido da farmacêutica.

Dia Mundial da Doença de Alzheimer

“A conclusão a que se chegou é que o medicamento atua sobre o acúmulo da substância beta-amiloide no cérebro de pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência em fase inicial. O remédio diminui o acúmulo. No entanto, não mostrou benefício evidente para os portadores, que não apresentaram melhora da cognição, mesmo havendo melhora no exame”, disse a Dra. Jerusa Smid, médica formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

“Faltam mais estudos com resultados positivos, porque esse foi o único que mostrou redução da patologia amiloide da doença de Alzheimer. Mas sabemos que nem sempre reduzindo a patologia haverá um ganho clínico na vida diária do paciente. Então o trabalho precisa ser replicado. Por isso o órgão regulatório dos Estados Unidos obrigou a realização de um novo estudo”, completa a neurologista Sônia Brucki, especialista da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

“A medicação não foi aprovada ainda; está em avaliação pela Anvisa. Ou seja, nem a temos por aqui. Além disso, até o momento, foi usada apenas em fase bem leve da doença ou em pré-demência (cognitivo leve). Esse trabalho mais amplo pode vir a revelar melhores resultados”, finaliza Jerusa.

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