Durante anos, pesquisadores buscavam uma forma de explicar a origem dos raios gama e neutrinos, duas partículas energéticas cuja criação é extremamente difícil de ser reproduzida. Um time de pesquisadores da Universidade Tohoku, no Japão, publicou um estudo que sugere que ambas as partículas podem vir de buracos negros dormentes – ou inativos – do espaço.

De uma forma geral, cientistas concordam que raios gama e neutrinos “nascem” da ação de buracos negros supermassivos de alto desempenho, especialmente aqueles com jatos mais ativos. Quando qualquer tipo de matéria cai em um buraco negro, uma quantidade imensa de energia gravitacional é liberada, aquecendo o gás ao redor, formando plasma a uma temperatura tão alta que pode facilmente superar dezenas de bilhões de Celsius, mas devido a um resfriamento pouco eficiente, esse plasma pode gerar raios gama a uma voltagem que chega aos megaelétron-volts de potência.

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Ilustração de um feixe de energia saindo de um buraco negro supostamente inativo
Ilustração de um buraco negro emitindo jatos de partículas energéticas: estudo de universidade japonesa indica que mesmo os buracos menos ativos, ou dormentes, são capazes de produzir energia (Imagem: Jurik Peter/Shutterstock)

Estima-se que toda galáxia tem um buraco negro supermassivo em seu centro, mas esse entendimento não explica todo o volume observado de raios gama e neutrinos, e o estudo japonês, publicado no jornal Nature Communications, sugere que outras fontes também tenham ação nesse processo.

Nisso entram os buracos negros inativos (ou “buracos negros de baixo crescimento”): a pesquisa comparou-os com o nosso Grande Colisor de Hádrons, o maior acelerador de partículas feito pelo homem. Em observações, os prótons acelerados pelo colisor produzem neutrinos que interagem com matéria e radiação.

Esse cenário também pode ser aplicado, segundo os pesquisadores, no plasma gerado pela ação de um buraco negro – mesmo um inativo – em números até 10 mil vezes maiores que o colisor, explicando o volume alto de neutrinos e raios gama observados no espaço, mas que não eram justificados apenas pela ação de buracos negros supermassivos de alta performance.

A ideia é que experimentos futuros – e a evolução da tecnologia de detecção dessas partículas energéticas – possam comprovar a teoria postulada pelos cientistas.

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