Um estudo feito pela Escola de Medicina da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, aponta detalhadamente a relação entre a compulsão alimentar e a abstinência de nicotina em ex-fumantes. O quadro é muito comum e o principal culpado pode ser o próprio cérebro.

De acordo com a pesquisa, o causador da compulsão são os receptores de alívio de estresse do cérebro, área que é responsável pelo vício e a regulação do apetite. A falta da nicotina faz com que o organismo aumente a necessidade do consumo de alimentos altamente calóricos, como aqueles ricos em sal, gorduras e açúcar.

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Homem sentando em frente a uma mesa com batatas fritas, dois hambúrgueres, salada e macarronada
Cientistas descobrem motivo da compulsão alimentar em ex-fumantes. Imagem: PattyPhoto/Shutterstock

O autor do estudo, Mustafa al’Absi, afirmou que “o medo de ganhar peso é uma grande preocupação entre os fumantes que pensam em parar de fumar”. O professor do Departamento de Medicina da Família e Saúde Biocomportamental disse que a chave para remover essas barreiras é entender melhor os fatores que aumentam o desejo por alimentos altamente calóricos.

Durante a pesquisa, foram analisados voluntários fumantes e não fumantes com idades entre 18 e 75 anos. Os participantes ficaram 24 horas sem ingerir nicotina e todos receberam uma dose de naltrexona – substância comumente indicada para o tratamento contra o tabagismo e o alcoolismo – ou um placebo, em seguida, escolheram quais alimentos gostariam de consumir.

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O grupo dos fumantes foi o que mais ingeriu calorias, assim como aqueles que receberam o placebo. Enquanto isso, aqueles que receberam a naltrexona puderam normalizar a tendência de compensação.

O doutor em endocrinologia e metabologia pela Universidade de São Paulo (USP), Antonio Carlos do Nascimento, explica que os ex-fumantes tendem a consumir mais alimentos calóricos como uma forma de compensação. Sem a nicotina, o cérebro do dependente recebe menos dopamina – substância responsável pelo prazer – então busca outras coisas que ativem a liberação da substância, como as comidas calóricas.

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