Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey, nos EUA, indica que uma das consequências das mudanças climáticas na Terra é que o planeta está perdendo seu brilho, tornando-se mais escuro.

Publicada na revista científica Geophysical Research Letters, a pesquisa se baseia em décadas de medições do brilho da Terra – a luz refletida do nosso planeta que ilumina a superfície da Lua – bem como observações de satélite para descobrir que houve uma queda significativa na refletividade (também chamada de albedo) da Terra nas últimas duas décadas.

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Segundo o estudo, a Terra está agora refletindo cerca de meio watt menos luz por metro quadrado do que há 20 anos, com a maior parte da queda ocorrendo nos últimos três anos. Isso é o equivalente a uma redução de 0,5%. A Terra reflete cerca de 30% da luz solar que incide sobre ela.

Refletividade média anual medida entre 1998 e 2017, expressa em watts por metro quadrado (W/m2). O albedo anual da CERES de 2001 a 2019, também expresso em W/m2, é mostrado em azul. A linha de melhor ajuste para os dados CERES (2001 a 2019) é mostrada no tracejado azul. As barras de erro médio para medições CERES são da ordem de 0,2 W/m2. Imagem: Goode et al. (2021) – Geophysical Research Letters

“A queda do albedo foi uma surpresa para nós quando analisamos os últimos três anos de dados após 17 anos de refletividade quase plana”, disse Philip Goode, principal autor do novo estudo, referindo-se aos dados da luz da terra de 1998 a 2017 coletados pelo Big Bear Solar Observatory, no sul da Califórnia. Quando os dados mais recentes foram adicionados aos anos anteriores, a tendência de escurecimento ficou evidente.

Como os cientistas relacionaram as mudanças climáticas à perda de refletividade terrestre

Dois fatores afetam a luz solar que atinge a Terra: o brilho do Sol e a refletividade do planeta. As mudanças no albedo da Terra observadas pelos pesquisadores não se correlacionaram com mudanças periódicas no brilho do Sol, o que significa que as mudanças na refletividade da Terra são causadas por algo no planeta.

Especificamente, tem havido uma redução de nuvens baixas brilhantes e reflexivas sobre o Oceano Pacífico oriental nos anos mais recentes, de acordo com medições de satélite feitas como parte do projeto Nuvens e Sistema de Energia Radiante da Terra (CERES) da Nasa.

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Essa é a mesma área, na costa oeste das Américas do Norte e do Sul, onde aumentos nas temperaturas da superfície do mar foram registrados devido à reversão de uma condição climática chamada Oscilação Decadal do Pacífico, com prováveis ​​conexões com as mudanças climáticas globais.

O escurecimento da Terra também pode ser visto em termos de quanto mais energia solar está sendo capturada pelo sistema climático do planeta. Uma vez que essa energia solar adicional significativa está na atmosfera e nos oceanos da Terra, ela pode contribuir para o aquecimento global, uma vez que a luz solar extra é da mesma magnitude que a forçante climática antropogênica total nas últimas duas décadas.

“Na verdade, é bastante preocupante”, disse Edward Schwieterman, cientista planetário da Universidade da Califórnia, em Riverside, que não está envolvido no novo estudo. 

Por algum tempo, muitos cientistas esperavam que uma Terra mais quente pudesse levar a mais nuvens e albedo mais alto, o que ajudaria a moderar o aquecimento e equilibrar o sistema climático, disse ele. “Mas, isso mostra, na verdade, ocorre o oposto”.

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