Um estudo publicado nesta semana na revista científica Nature, conduzido por pesquisadores da Universidade da Tasmânia, na Austrália, e da Universidade de Maryland, nos EUA, descobriu um planeta orbitando uma estrela morta. Isso pode dizer muito sobre o futuro do nosso sistema solar.

Segundo o site Space, o planeta é um gigante gasoso 40% maior do que Júpiter e está localizado próximo ao centro da Via Láctea.

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Via Láctea
Planeta gigante gasoso, cerca de 40% maior do que Júpiter, está localizado próximo ao centro da Via Láctea. Imagem: Outer Space – Shutterstock

Esse planeta e sua estrela-mãe teriam sido identificados por acaso, durante um evento de “microlente gravitacional”, em 2010. Por muito tempo, no entanto, os astrônomos não tinham ideia do que eles estavam observando. 

Microlente gravitacional é um evento que ocorre quando duas estrelas a distâncias diferentes da Terra se alinham temporariamente em nossa perspectiva. A gravidade da estrela em primeiro plano atua como uma lente e amplia a luz da estrela de fundo. 

Se um planeta orbita a estrela do primeiro plano, a luz ampliada é brevemente deformada enquanto o planeta passa na frente da estrela. 

“Para detectar um objeto por microlente gravitacional, você depende apenas da massa do objeto; você não precisa de nenhuma luz proveniente dele”, explicou Jean-Philippe Beaulieu, professor de astrofísica da Universidade da Tasmânia e diretor do Instituto de Astrofísica de Paris. “Pudemos ver que havia um objeto com cerca de metade da massa do Sol orbitado por um planeta com a massa de Júpiter”.

Na ocasião, os cientistas pensaram que era apenas mais um exoplaneta, “uma descoberta intrigante, mas não única”, disse Beaulieu.

Não era só um simples exoplaneta

No entanto, os astrônomos quiseram aprender mais sobre o sistema e decidiram estudá-lo com um dos telescópios WM Keck no Havaí. Para sua surpresa, não conseguiram ver nada. 

“Como [o objeto] tem metade da massa do Sol, o telescópio Keck, um dos melhores telescópios de seu tipo, devia ser capaz de detectá-lo”, explicou Beaulieu. “Mas, não encontrou nada”.

Então, eles concluíram que o corpo misterioso em torno do qual orbitava o planeta solitário deve ser um buraco negro ou uma anã branca, um vago remanescente de uma estrela que ficou sem combustível em seu núcleo e colapsou em uma bola superdensa, do tamanho de Terra, em resfriamento. Ou seja: uma estrela morta.

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“Quando olhamos para a faixa de massa, era típico da população de anãs brancas que conhecemos em nossa galáxia”, revelou Beaulieu.

Foi aí que uma descoberta aleatória de um planeta extrassolar, de repente, se tornou algo muito mais interessante. Nenhuma anã branca foi encontrada antes com um planeta em sua órbita, e os cientistas especularam durante anos se planetas poderiam existir ao redor das anãs brancas. 

O início da morte de uma estrela, fase denominada gigante vermelha, provoca um colapso tão potente que destrói tudo ao seu redor. Imagem: Raymond Cassel – Shutterstock

Não é tanto a anã branca o problema para a sobrevivência de um planeta. É a fase anterior, chamada gigante vermelha, um estágio na vida da maioria das estrelas que queimam hidrogênio em hélio em seu núcleo. 

À medida que a estrela queima todo o hidrogênio de seu núcleo, suas camadas externas começam a entrar em colapso, o que aumenta temporariamente a temperatura dentro do núcleo, permitindo que o hélio se funda em carbono. Esse processo gera um impulso poderoso para fora que expande o tamanho original da estrela várias vezes. 

O que acontecerá com os planetas do sistema solar após a morte do Sol?

Segundo explicam os cientistas, a primeira descoberta de um planeta orbitando uma estrela morta sugere que alguns mundos em nosso sistema solar provavelmente seriam capazes de sobreviver à morte violenta do Sol, prevista para acontecer em cerca de cinco bilhões de anos.

Beaulieu afirma que “assim que o Sol atingir a fase de gigante vermelha, a Terra se encontrará subitamente dentro dele, com temperaturas de milhares de graus em sua superfície”.

De acordo com o cientista, provavelmente não restará nada da Terra. “Mas, algo como Júpiter, que está mais longe, pode sobreviver. Algumas de suas camadas externas serão destruídas, mas ele é grande o suficiente para persistir”.

Mas, isso seria o fim da humanidade?

Para David Bennett, pesquisador sênior da Universidade de Maryland e do Goddard Space Flight Center da Nasa, que também é coautor do novo artigo, a melhor chance da humanidade seria habitar algumas das luas de Júpiter ou Saturno. Ainda assim, não seria uma existência “tranquila”. 

“Se a humanidade quisesse mudar para uma lua de Júpiter ou Saturno antes que o Sol fritasse a Terra durante sua fase supergigante vermelha, ainda permaneceríamos em órbita ao redor do Sol, embora não seríamos capazes de contar com seu calor como uma anã branca por muito tempo “, disse Bennett. 

Beaulieu espera que, em um futuro próximo, a equipe possa realmente ser capaz de analisar sua anã branca com a ajuda do Telescópio Espacial Hubble ou o Telescópio James Webb, o maior observatório espacial já construído, que será lançado em dezembro.

“Esperamos poder não apenas detectá-la, mas também medir sua luminosidade e temperatura”, disse Beaulieu. “Assim que tivermos isso, seremos capazes de dizer a idade da anã branca e isso nos dará a idade de todo o sistema”.

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