Coronavírus

Pandemia pode ter ajudado no aumento de superbactérias

15/10/21 20h55

Créditos: Shutterstock

Os efeitos da pandemia da Covid-19 podem ir além das consequências do vírus. O uso de antibióticos de forma indiscriminada, em uma tentativa falsa de evitar a infecção pelo patógeno, pode contribuir com o surgimento de superbactérias, resistentes a esses medicamentos.

Um dos exemplos é a azitromicina, antibiótico presente no chamado “kit Covid“, um conjunto de medicamentos que foi amplamente usado como “tratamento precoce” no Brasil. Apesar das autoridades de saúde já terem comprovado a ineficácia desse tipo de tratamento. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2020 a venda de azitromicina aumentou 105%.

A preocupação com a superbactéria não é de agora. No começo do ano, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), relatou o risco do uso de antibióticos sem necessidade contra a Covid-19. Segundo o órgão, a situação representa uma ameaça à saúde pública.

“A resistência aos antibióticos ainda é uma ameaça à saúde pública durante a pandemia de Covid-19. Os especialistas do CDC estão monitorando de perto os possíveis efeitos do Covid-19 no estado nacional de resistência e uso de antibióticos”, disse o CDC.

O perigo das superbactérias

“O uso desnecessário ou indiscriminado de antibióticos pode, com o tempo, tornar infecções bacterianas simples em doenças difíceis de serem combatidas”, disse Geraldo Druck Sant’Anna, médico e professor de otorrinolaringologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre para a Agência Einstein.

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“Ainda que no Brasil o consumo de antibióticos seja controlado com a retenção da receita médica desde 2010, é comum que pacientes peçam indicação aos médicos durante a consulta. Também não é incomum o médico prescrever o medicamento por avaliação equivocada, por precaução de piora do quadro ou por não poder acompanhar a evolução do estado de saúde nos próximos dias”, completou.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimava que, em 2050, cerca de 10 milhões de pessoas deveriam morrer anualmente vítimas de superbactérias. Com a pandemia da Covid-19, o órgão informou que já está revendo essa posição.

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