Nunca morreu tanta gente no Brasil como em 2020. Impulsionado pela Covid-19, o ano foi o mais letal da história do país desde que isso passou a ser registrado, segundo dados divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (18), como parte de um estudo sobre registros de nascimentos, mortes e casamentos.

Em comparação com 2019, 2020 teve um aumento de quase 15% no total de mortes. Foram 1.513.575 mortes, 195.965 a mais do que no ano anterior. Esse é o maior aumento desde 1984, quando os dados passaram a ser registrados pelo IBGE.

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O aumento percentual de óbitos entre os homens (16,7%) superou o das mulheres (12,7%). A maior parte dos óbitos foi na faixa dos 60 anos ou mais de idade. Para as idades abaixo de 20 anos, houve redução dos óbitos entre 2019 e 2020.

Mortes em 2020

“A alta no número de óbitos observada entre 2019 e 2020 foi muito fora do comum quando vemos como foi esse movimento nos anos anteriores. Olhando desde 1984, mesmo que as séries mais antigas não sejam comparáveis com as atuais, pois o índice de sub-registro era muito alto, é possível observar que nunca antes tivemos uma variação acima de 7% de um ano para outro. Sendo que, em geral, o incremento ficava abaixo ou em torno de 3%. De 2010 a 2019, a média de variação foi de 1,8%”, explica a gerente da pesquisa, Klívia Brayner.

Imagem: IBGE

Cerca de 73,5% dos óbitos de 2020 ocorreram em hospital, 20,7% em domicílios e em 5,8% em outro local de ocorrência ou sem declaração. Além disso, 99,2% dos 195.965 óbitos ocorridos a mais, de 2019 para 2020, foram óbitos por causas naturais.

Além das mortes totais, as mortes de idosos também subiram no Brasil, esse é o grupo mais vulnerável a Covid-19. A alta predominou entre pessoas acima de 60 anos de idade, que concentraram 75,8% da variação dos óbitos no ano. Nessa faixa etária, houve aumento de 16,3% (148.561 a mais) nos óbitos em 2020, ante uma alta de 4,5%, de 2018 para 2019.

“Houve um crescimento bastante relevante das mortes por causas naturais, o que é condizente com o cenário de uma epidemia. Por outro lado, o fato de as crianças e adolescentes terem ficado em casa parece ter reduzido expressivamente os óbitos até os 15 anos, talvez pela menor exposição a agentes patógenos em geral ou a riscos de causas externas”, completou Brayner.

Via Agência IBGE

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