Uma história curiosa, divulgada inicialmente pela youtuber e entusiasta da indústria aeroespacial, Amy Shira Teitel (do canal The Vintage Space), vem aparecendo nas manchetes da imprensa internacional. Ela afirma que, em 1969, a Nasa abriu licitações para a criação de um “dispositivo pessoal de voo lunar”. Sim, nós quase usamos jetpacks na Lua.

Segundo as informações divulgadas, os “jetpacks da Lua” não era bem como imaginamos hoje: ao invés de propulsores acoplados a uma mochila nas costas do usuário, eles estavam mais para plataformas sobre as quais astronautas ficariam em pé. O design que conhecemos viria com o avanço das pesquisas, mas o projeto, operado pela Bell Aerospace, nunca foi lançado.

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“As missões [do Programa] Apollo na superfície lunar tinham suas limitações”, disse Teitel em seu vídeo. “A maior delas era a quantidade de itens consumíveis: a plataforma idealizada só poderia suportar dois homens por três dias, então esse era o período máximo pelo qual astronautas pudessem permanecer fora da nave”.

Considerando na Lua a força da gravidade é apenas 17% do experimentado na Terra, é fácil pensar que a locomoção via jetpacks na Lua fosse facilitada. Entretanto, em 1969, a navegação no terreno lunar era extremamente desconhecida – não que hoje seja muito melhor -, então os riscos não compensavam os ganhos: imagine que o combustível da plataforma acabasse antes do fim da viagem, ou que você de alguma forma se perdesse de seu jetpack.

A ideia de uma plataforma móvel mais portabilizada, porém, nunca foi de fato abandonada: hoje, diversos projetos envolvem a construção de módulos lunares de pouso, enquanto outras iniciativas mais conceituais falam em rovers e até em carros menores.

Montagem mostra duas versões de antigo projeto que iria criar os "jetpacks para a Lua"
À esquerda, o primeiro esboço do que viria a ser o “jetpack da Lua”, cujo design foi evoluindo até chegar na segunda foto. Infelizmente, a ideia nunca foi colocada em prática pela Nasa (Imagem: Bell Aerospace/Divulgação)

Isso porque, apesar da gravidade menor, caminhar na Lua não é a mais fácil das tarefas: você é obrigado a usar o traje espacial por todo o tempo, por razões óbvias – somente isso já é suficiente para dobrar o seu peso, já que as roupas usadas na Apollo 11 (a missão que pousou na Lua) passavam de 80kg, fora o peso natural do astronauta.

Mas se a ideia parecia tão boa, por que ela não foi para frente?

Bom, a Nasa sempre foi conhecida por conduzir vários projetos em paralelo. Um desses era um contrato repassado à Boeing para a criação de um veículo movido a bateria que os astronautas pudessem dirigir. Considerando os benefícios de não precisar de combustível para operar o novo conceito, cerca de um mês antes do contrato com a Bell Aerospace vencer, a agência espacial americana engavetou a ideia do jetpack na Lua.

O design do rover da Boeing acabou servindo como base para construções futuras, como os atuais veículos usados pela Nasa em Marte.

Vale lembrar que a Nasa, hoje, está dedicando todos os recursos disponíveis para o Programa Artemis, que ambiciona levar o homem de volta à Lua e estabelecer uma base no nosso satélite. A SpaceX é uma das empresas contratadas para construir um novo módulo de pouso.

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