Nem só de socar um asteroide no proverbial queixo vive a missão DART, que a NASA lançará na próxima quarta-feira (24). Além da diretriz de desviar um asteroide de sua rota com o impacto de um satelite, a missão também vai testar um novo sistema de propulsão por íons, teoricamente, mais limpo, poderoso e econômico que o uso de propelentes líquidos que conhecemos hoje.

O chamado “NEXT-C” (ou “NASA’s Evolutionary Xenon Thruster-Commercial”) usa a eletricidade gerada pelos painéis solares da própria embarcação, a fim de criar um campo elétrico que acelera partículas de xenônio a velocidade alta o suficiente para impulsionar o veículo.

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O sistema de propulsão por íons NEXT-C, projetado pela NASA e pela empresa Aerojet Rocketdyne: tecnologia será usada durante a missão DART para fins de avaliação de desempenho
O sistema de propulsão por íons NEXT-C, projetado pela NASA e pela empresa Aerojet Rocketdyne: tecnologia será usada durante a missão DART para fins de avaliação de desempenho (Imagem: NASA/Divulgação)

Segundo os criadores do sistema – um time misto entre membros do Glenn Research Center da NASA e a empresa Aerojet Rocketdyne -, esse propulsor de íons consegue gerar velocidades “muito maiores” do que a propulsão convencional, que usa combustível líquido.

Vale mencionar que a propulsão iônica funciona apenas no espaço, onde a gravidade zero e ausência de atrito com o ar permitem que mesmo as menores forças de aceleração, como as geradas por um ion, se acumulem em uma aceleração significativa com o passar do tempo. Como os juros do cheque especial.

O foguete Falcon 9 carregando a DART tem lançamento previsto para as 3h21 desta quarta-feira (24), horário de Brasília.

Daqui um ano, a espaçonave irá se chocar contra a menor rocha do sistema binário (formado por duas rochas em órbita compartilhada) composto por Didymos, com 780 metros, e Dimorphos, com 160 metros. A ideia é que o choque do impacto desvie o corpo de sua rota original – comprovando o que é possivelmente a mais simples das estratégias de defesa planetária.

Antes da pancada, porém, a NASA pogramou o sistema de propulsão por íons para fazer diversos disparos. Segundo a agência espacial americana, tal tecnologia já foi usada antes, com sucesso (especificamente, nas missões Deep Space 1 e Dawn, nos anos de 1998 e 2007), mas o NEXT-C é, segundo o órgão, até três vezes mais poderoso.

“É um sentimento meio agridoce você saber que só vai testar [o sistema] por um curto período de tempo antes do impacto com o asteroide”, disse Jeremy John, chefe de engenharia de propulsão da missão DART e engenheiro na Universidade Johns Hopskins.

Segundo o especialista, o NEXT-C vai ser disparado por várias vezes ao longo de toda a jornada, mas a manobra da nave será de responsabilidade de 12 propulsores convencionais. O funcionamento do sistema de propulsão por íons será, literalmente, “para mostrar que ele funciona”, diz o técnico, dentro das condições inóspitas do espaço.

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