Nos humanos modernos, os chamados dentes de leite começam a surgir por volta dos dez meses de vida. Mas um estudo internacional aponta que os bebês neandertais começavam a ter dentes muito mais cedo: entre os quatro a sete meses de idade.

Uma equipe internacional de pesquisadores que estuda um dente de leite neandertal recuperado encontrou evidências de que os primeiros dentes da infância surgiam mais cedo e cresciam mais rápido na espécie humana extinta do que nos bebês de hoje em dia.

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Pesquisadores analisaram a estrutura de um dente de leite preservado de neandertal. Imagem: Proceedings of the Royal Society B

No artigo, publicado no periódico científico Proceedings of the Royal Society B, o grupo, formado por cientistas do Reino Unido, dos EUA, da Austrália e da Itália, descreve como se deu a pesquisa.

Nos humanos modernos os dentes decíduos – popularmente chamados de dentes de leite – permanecem nas gengivas por aproximadamente seis anos, quando são substituídos por dentição sucessória ou permanente. 

Pesquisas anteriores mostraram que o esmalte que cobre os dentes de leite tem linhas neonatais que marcam o ponto onde foi produzido antes e depois do nascimento do bebê. Outros estudos também mostraram que o esmalte cresce nos dentes em um ciclo diário, o que causa estriações cruzadas. O crescimento dentário em um único dia pode ser medido na distância entre as listras. 

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Nesta nova abordagem, os pesquisadores usaram essas informações enquanto analisavam o fóssil de uma criança neandertal que viveu há aproximadamente 120 mil anos, perto do que hoje é a cidade de Krapina, na Croácia.

Ao examinar o dente de leite, os cientistas foram capazes de traçar a rapidez com que ele cresceu na boca dessa criança e a época de sua vida em que ele emergiu da gengiva – em algum momento entre os quatro e os sete meses de idade. 

Essa descoberta sugere que os dentes começaram a emergir das gengivas em crianças neandertais bem antes do que em humanos modernos. Assim, é possível que as crianças neandertais tenham começado a comer alimentos sólidos antes do que acontece com as crianças humanas atuais. 

Os pesquisadores confirmaram seus resultados comparando o que haviam encontrado com outro osso mandibular preservado de neandertal que tinha três dentes intactos. Segundo a pesquisa, os neandertais podem ter precisado começar a ingerir uma variedade mais diversificada de alimentos mais cedo na vida do que os humanos modernos, porque eles precisariam de mais energia para nutrir seus grandes cérebros.

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