Homo longi, o “homem-dragão”, pode substituir os Neandertais como nosso parente mais próximo

homo longi
Homo longi ou 'homem dragão' viveu há cerca de 146 mil anos - Imagem: Divulgação / Ansa - Brasil

Três artigos científicos publicados nesta sexta-feira (25) sugerem que o Homo longi, espécie recém-descoberta por geocientistas da Universidade Hebei, na China, pode ser nosso parente mais próximo, e não os Neandertais, o que remodelaria toda nossa compreensão em torno da evolução humana. Pesquisadores da Academia de Ciências da China e do Museu de História Natural de Londres analisaram um crânio quase completo da espécie, que vem sendo chamada de “homem dragão”, encontrado na cidade de Harbin na década de 1930 e nunca antes examinado com precisão.

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crânio Homem Dragão
Fóssil de espécie identificada como Homo longi foi encontrado por trabalhador chinês em 1933 e passou 85 anos escondido até ser analisado. Imagem: Reprodução/The Innovation

“O fóssil de Harbin é um dos fósseis cranianos humanos mais completos do mundo”, diz o pesquisador Qiang Ji, professor de paleontologia da Faculdade de Geociências da Universidade Hebei. “Este fóssil preservou muitos detalhes morfológicos que são essenciais para a compreensão da evolução do gênero Homo e da origem do Homo sapiens”.

Ji afirma que o enorme crânio poderia acomodar um cérebro comparável em tamanho ao dos humanos modernos, mas tinha órbitas maiores, quase quadradas, sobrancelhas grossas, boca larga e dentes enormes. 

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“Embora mostre características humanas arcaicas típicas, o crânio de Harbin apresenta uma combinação em mosaico de caracteres primitivos e derivados que se diferenciam de todas as outras espécies anteriormente chamadas de Homo”, diz Ji.

Os pesquisadores acreditam que o crânio pertencia a um indivíduo do sexo masculino, com aproximadamente 50 anos, que vivia em um ambiente florestal de várzea como parte de uma pequena comunidade. “Como o Homo sapiens, eles caçavam mamíferos e pássaros, colhiam frutas e vegetais e talvez até pescassem”, observa o coautor do estudo, Xijun Ni, professor de primatologia e paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade Hebei. 

Homo sapiens, Homo longi e Neandertais podem ter convivido

Tendo em vista que o indivíduo provavelmente era muito grande em tamanho, assim como o local onde o crânio foi encontrado, os pesquisadores sugerem que o H. longi pode ter sido adaptado para ambientes hostis, permitindo que sua espécie tenha se dispersado pela Ásia.

Usando uma série de análises geoquímicas, Ji, Ni e sua equipe dataram o fóssil de Harbin em pelo menos 146 mil anos, situando-o no Pleistoceno Médio, uma era dinâmica de migração da espécie humana. Eles levantam a hipótese de que H. longi e H. sapiens poderiam ter se encontrado durante esta era.

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Representação gráfica de um Neandertal. Homo longi pode ser o verdadeiro grupo irmão do H. sapiens, e não os neandertais. Imagem: Nicolas Primola – Shutterstock

“Vemos várias linhagens evolutivas de espécies e populações de Homo coexistindo na Ásia, África e Europa durante esse tempo. Então, se o Homo sapiens realmente chegou ao Leste Asiático quando se supõe, eles poderiam ter a chance de interagir com H. longi, e como não sabemos quando o grupo Harbin desapareceu, poderia ter havido encontros posteriores também”, afirma Chris Stringer, um paleoantropólogo do Museu de História da Natureza em Londres, também membro da equipe de pesquisadores.

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“É amplamente aceito que o Neandertal pertence a uma linhagem extinta que é o parente mais próximo de nossa própria espécie. No entanto, nossa descoberta sugere que a nova linhagem que identificamos que inclui o Homo longi é o verdadeiro grupo irmão do H. sapiens “, disse Ni.

Os pesquisadores afirmam que as descobertas obtidas no crânio de Harbin têm o potencial de reescrever elementos importantes da evolução humana. Sua análise da história de vida do Homo longi sugere que eles eram seres humanos fortes e robustos, cujas interações potenciais com o Homo sapiens podem ter moldado nossa história. “Ao todo, o crânio de Harbin fornece mais evidências para que possamos entender a diversidade Homo e as relações evolutivas entre essas diversas espécies e populações Homo”, disse Ni, afirmando que “nós encontramos nossa linhagem irmã há muito perdida.”

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Fonte: Phys.org

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Flavia Correia
Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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