A aplicação do teste de HPV baseado em DNA para rastreamento do câncer de colo de útero é eficaz na detecção da doença. Segundo a Agência Brasil, o novo método é, inclusive, mais eficiente quando comparado com o exame de Papanicolau, utilizado atualmente e que identifica células doentes.

A pesquisa sobre o teste, desenvolvida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em parceria com a Prefeitura Municipal de Indaiatuba (SP), observou ainda que a detecção do câncer nas mulheres que fizeram o teste de DNA-HPV foi antecipada em dez anos, ainda em estágios iniciais.

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“Com o novo teste, detectamos os cânceres que iriam surgir nos próximos dez anos na cidade. Nós já detectamos em fases iniciais, com chances de cura próximas de 100%”, disse o pesquisador principal do estudo e diretor de Oncologia do Hospital da Mulher (Caism) da Unicamp, Júlio Cesar Teixeira.

De acordo com Teixeira, o Papanicolau em pacientes de até 39 anos alcançava apenas 30% das mulheres-alvo, com o novo sistema esse número saltou para 90%.

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Teste de HPV com base em DNA é eficaz para detecção de câncer, diz pesquisa. Imagem: Evan Lorne/iStock

“Passamos da cobertura, que era 30%, para mais de 90% e utilizamos um teste mais sensível e eficiente. O que aconteceu? Em dois anos e meio, detectamos 21 casos de câncer na população, sendo que 14 eram microscópicos”, explicou.

No âmbito do programa, 86,8% dos testes tiveram resultado negativo e 6,3% tiveram indicação de colposcopia. “Você faz uma triagem dessas pessoas. Quem tem o vírus, eu vou olhar para o segundo teste, que pode ser a citologia [Papanicolau] ou já olhar diretamente o colo, com uma colposcopia, que é um exame como uma lente de aumento para ver se ela já tem alguma lesão pré-câncer. Você acaba detectando antes de virar uma lesão em muitas mulheres”, contou o pesquisador.

Além disso, o especialista ressaltou o baixo custo para substituição do Papanicolau pelo teste, além de, com o objetivo de identificar lesões precocemente, acabar diminuindo também os gastos com futuros tratamentos.

“Se você detectar uma lesão pré-câncer, a mulher vive a vida dela inteira. Se detectar um câncer, ela tem um risco de morrer e encurtar a vida, dependendo do estágio”, exemplificou, acrescentando que o custo do tratamento de um câncer avançado e um microscópico é pelo menos 20% maior.

“Um teste de HPV negativo garante cinco anos de risco zero para ter alguma doença importante, então você espaça mais.” Atualmente, os exames de citologia precisam ser feitos de três em três anos.

O pesquisador destacou também que o câncer de colo de útero é um tipo que pode ser erradicado, visto que se conhecesse o agente causador da doença, o vírus HPV.

O estudo foi realizado entre 2017 e 2020 e foi publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.

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O que é HPV?

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer do colo do útero é causado pela infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano – HPV. “Praticamente de cada dez pessoas durante a vida, oito têm contato nos genitais com o HPV. São vários tipos, e 14 são relacionados a câncer”, apontou Teixeira.

Tirando o câncer de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina. E é a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Em 2020, foram 16,7 mil novos casos. Em 2019, foram 6,5 mil mortes, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer.

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