Recentemente, conforme noticiado pelo Olhar Digital, a sonda Parker, lançada pela Nasa para exploração do Sol, fez a sua décima passagem pela estrela, quebrando seus próprios recordes de velocidade e distância no processo. Na ocasião, a espaçonave alcançou a marca de 163 quilômetros por segundo (km/s) – o equivalente a aproximadamente 586 mil quilômetros por hora (km/h). 

Sonda Parker quebra recorde de velocidade e é constantemente atingida por poeira espacial. Imagem: Universidade Johns Hopkins/Divulgação

Uma enorme desvantagem em voar tão rápido assim está nos riscos que o objeto enfrenta de ser atingido por alguma coisa – qualquer coisa – no caminho. Mesmo minúsculos grãos de poeira cósmica, que têm uma fração da espessura de um fio de cabelo, podem causar danos.

publicidade

Preocupados com a questão, cientistas da Universidade do Colorado em Boulder (UCB) realizaram um estudo para descobrir a gravidade desses danos e de que maneira eles podem acontecer.

Sonda Parker sofre impactos a quase 11 mil km/h

Como se deve imaginar, o ambiente pelo qual a sonda Parker está viajando não é nada tranquilo. A espaçonave precisa da ajuda de um escudo térmico gigante para se proteger das altas temperaturas alcançadas pela constante aproximação do Sol. 

De acordo com a pesquisa, no entanto, esse escudo de calor nem sempre está voltado para a direção na qual nave está viajando, portanto, ele não pode proteger continuamente o corpo interno sensível de quaisquer impactos de poeira, alguns dos quais podem acontecer a surpreendentes 10.800 km/h.

Então, o que acontece quando um grão de poeira atinge a espaçonave? Normalmente, primeiro, os grãos vaporizam e depois ionizam, o que separa os íons e elétrons que compõem seus átomos, resultando em um plasma. Esse plasma cria uma pequena explosão que dura apenas um milésimo de segundo. 

Grãos maiores, no entanto, podem realmente gerar detritos. Muitos desses detritos são feitos de poeira vaporizada, mas alguns deles podem ser pequeníssimas partes da própria Parker explodidas ao serem atingidas pelos grãos de poeira.

Campo magnético dos ventos solares pode ser impactado pelo plasma produzido das colisões de poeira espacial com a sonda Parker. Imagem: IgorZh – Shutterstock

Leia mais:

Perturbação do campo magnético

Há outra consequência desses impactos que não é tão visível a olho nu – eles perturbam o campo eletromagnético ao redor da sonda. Essa perturbação é o que David Malaspin, do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da UCB, está usando para entender ainda mais sobre o ambiente local da sonda.

Por estar mais perto do Sol do que qualquer outro objeto artificial, a Parker é constantemente soprada pelo vento solar – um fluxo de plasma composto por íons e elétrons eletricamente carregados. Portanto, os ventos solares possuem um campo magnético associado. 

Qualquer outro plasma introduzido, como o resultante das colisões de poeira com a sonda mencionadas anteriormente, impactaria esse campo magnético.

Como a Parker tem um conjunto de instrumentos magneticamente sensíveis que permitem monitorar o campo magnético do Sol, eles também são úteis para detectar como o plasma criado pelas colisões com a poeira é varrido pelo vento solar. 

Além desses dados ajudarem a compreender algumas das condições ambientais da “nuvem zodiacal” – a grande nuvem de poeira localizada perto do sol – eles também podem ser úteis para compreender como os processos de ionização em pequena escala em qualquer lugar interagem com o vento solar. Isso, segundo Malaspin, pode ser particularmente útil na modelagem da interação de Vênus ou da atmosfera de Marte com o vento solar.

Nave mais atingida por jatos de poeira da história

Como parte desse estudo magnético, os pesquisadores também analisaram alguns dos destroços que haviam sido expelidos da própria sonda. Em alguns casos, os destroços se situaram em posições aquém das ideais – como bem na frente de uma câmera de navegação, causando um risco na imagem ou a reflexão da luz do sol nela e breve desorientação da sonda. 

Para uma missão como a Parker, que deve estar constantemente vigilante quanto à sua orientação para que não seja queimada pelo Sol, essa desorientação pode ser fatal.

A sonda ainda tem muitos anos de missão pela frente. Sua tarefa principal vai até 2025, com outras quinze voltas ao redor do Sol planejadas além das nove que já completou desde seu lançamento, em 2018. 

Precisamos torcer para que ela seja capaz de permanecer operacional pelos próximos quatro anos, a despeito de todos os riscos que corre. Afinal, ela é a espaçonave mais atingida por jatos de poeira da história.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!