Pesquisadores da Michigan Medicine descobriram um método medicinal que utiliza células do intestino do porco para interromper a formação de proteínas que desempenham papel importante na formação de coágulos sanguíneos e de inflamações de várias doenças como a Covid-19, por exemplo.

O corpo humano, quando tenta lutar contra uma infecção, faz com que as células imunológicas, conhecidas com neutrófilos, criem armadilhas que dispararam redes de proteínas tóxicas semelhantes a teias de aranha para ajudar a conter os invasores. Caso essas armadilhas dos neutrófilos (ou TNEs) não estejam reguladas adequadamente, elas acabam “se voltando” contra o próprio organismo, ajudando na criação dos coágulos sanguíneos.

publicidade

Para interromper a formação desses TNEs nocivos, os pesquisadores usaram o defibrotide. Para os leigos, defibrotide é remédio com mistura complexa de pequenos fragmentos de DNA – purificados das células do intestino do porco. Atualmente, ele é usado para tratar bloqueios nos vasos sanguíneos do fígado após transplante de células-tronco.

porcos coágulos sanguíneos
Remédio “à base” de intestino de porco deve ajudar na prevenção de coágulos sanguíneos Imagem: Mark Agnor/iStock

Os pesquisadores chegaram à conclusão “inspirados” por uma outra doença conhecida como síndrome antifosfolipídica (APS). Nesta doença, os TNEs são os principais contribuintes para as coagulações sanguíneas e há cerca de 20 anos que o defibrotide incomum é especulado como um possível tratamento para ela.

Após a observação da APS, os pesquisadores decidiram analisar como o defibrotide, que utiliza células de intestino dos porcos, iria interagir com as células do sistema imunológico. Utilizando camundongos com APS, o grupo descobriu que o remédio supriu a liberação de TNEs pelos neutrófilos e também reduziu a produção de coagulações sanguíneas.

De acordo com o autor sênior do artigo e professor associado de reumatologia da Michigan Medicina, Jason Knight, o tratamento foi tão eficaz na neutralização de TNEs e trombose que os camundongos com APS passaram a se comportar normalmente, como se nunca tivessem tido a doença. “Isso pode ser significativo para as formas mais graves de APS, os casos que levam as pessoas ao hospital onde precisam de tratamento de emergência”, disse Knight.

Leia mais:

Doruk Erkan, co-autor do artigo e reumatologista do Hospital for Special Surgery na cidade de Nova York, foi o primeiro especialista a falar sobre a APS e o defibrotide.

“Este estudo é histórico”, disse Erkan sobre a descoberta dos pesquisadores. “Duas décadas após o único relato de caso de uso de defibrotide em APS catastrófica, agora temos suporte científico sobre como ele pode interferir na trombose associada à APS”, finalizou.

Já assistiu aos novos vídeos no YouTube do Olhar Digital? Inscreva-se no canal!