O governo chinês está pressionando a alemã Continental, uma das maiores empresas do mundo na fabricação de autopeças, a parar de usar componentes feitos na Lituânia. As informações são da agência Reuters e trazem mais tempero para o atrito entre a China e o pequeno país báltico sobre o status de Taiwan.

Essa pressão do governo chinês sobre a Continental parece ser um exemplo de como a disputa diplomática entre Beijing e a Lituânia está se espalhando para os negócios pelo restante do mundo, em uma era de cadeias de suprimentos globais. Afetando inclusive a indústria automobilística da Alemanha, um pilar lucrativo da maior economia da Europa.

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Laços mais estreitos entre a Lituânia e Taiwan

Nos últimos meses, a nação báltica intensificou seu relacionamento com Taiwan, o que tem incomodado a China, que considera a ilha como parte de seu território. O governo chinês então rebaixou os laços diplomáticos com a Lituânia no mês passado, após a abertura de um escritório de representação de Taiwan em Vilnius, capital do país lituano. O escritório é o primeiro novo posto diplomático da ilha na Europa em 18 anos.

A Lituânia defende seu direito de ter vínculos com Taiwan, um importante fornecedor de semicondutores, lasers e outros componentes da indústria de alta tecnologia. Entretanto, o país europeu, que se tornou um centro de referência em tecnologia financeira nos últimos anos, também diz respeitar a política de “uma China” – sob o princípio de “uma China”, o governo chinês insiste que Taiwan é uma parte inalienável de uma China que um dia será reunificada.

A Continental possui instalações de produção na Lituânia, fabricando peças eletrônicas, como controladores para portas e assentos de veículos. Sua produção é exportada para clientes em todo o mundo, incluindo a China. Fontes da indústria alemã disseram que a pressão não está sendo sentida apenas pela Continental, mas por uma dezena de empresas, principalmente dos setores automotivo e agrícola.

O Ministério das Relações Exteriores da China negou que Beijing tenha pressionado empresas multinacionais a não usarem peças produzidas na Lituânia, embora tenha dito que suas empresas não confiam mais no país báltico.

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