Depois de 25 anos desde o início do desenvolvimento e de problemas dos mais variados possíveis, que levaram, só neste ano, a quatro adiamentos, o telescópio espacial James Webb, enfim, decolou. O lançamento aconteceu às 9h21, pelo horário de Brasília, deste sábado (25) de Natal, a bordo de um foguete Ariane 5, da Arianespace, a partir do Centro Espacial da Guiana, próximo a Kourou, na Guiana Francesa.

Reprodução: NASA

Às 9h47, 26 minutos após a decolagem, os estágios se separaram, permitindo que o telescópio James Webb siga rumo a uma distância de 1,5 milhão de km da Terra, se posicionando na região conhecida como “Segundo Ponto de Lagrange” (L2).

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O Telescópio Espacial James Webb se separa do Ariane 5 com a Terra azul brilhante ao fundo. (Créditos: NASA TV)

Mais de 300 pontos únicos de falha

Projeto liderado pela Nasa em parceria com as agências espaciais europeia e canadense, o telescópio passará seu primeiro mês no espaço se desenrolando em uma sequência de implantação complexa, que contém, pelo menos, 344 “pontos únicos de falha”, segundo Mike Menzel, engenheiro líder de sistemas da missão Webb, do Goddard Space Flight Center da Nasa.

De acordo com a engenheira de sistemas do Webb da Northrop Gumman – empresa que construiu a espaçonave – Krystal Puga, o telescópio tem 144 mecanismos de liberação “que devem funcionar perfeitamente”.

Ilustração artística do Telescópio Espacial James Webb
Nesta ilustração artística do Telescópio Espacial James Webb é possível ver as cinco camadas de filme que protegem o equipamento da luz e do calor do Sol. Nasa diz que sequência de implantação tem mais de 300 pontos de falha únicos. Créditos: NASA / STScI

Menzel explicou que a equipe diminuiu o número de mecanismos de liberação tanto quanto possível. “Encontramos o ponto ideal entre obter o controle que desejamos, com essas grandes membranas flexíveis, sem adicionar muitos pontos únicos de falha”, disse ele.

Essas membranas mencionadas por Menzel são o escudo prateado que fica embaixo do telescópio, feito de cinco camadas de um filme finíssimo, que o protegem da luz e calor do Sol.

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No entanto, embora a missão (especialmente no estágio de implantação) tenha esse grande número de pontos únicos de falha, Menzel enfatizou o extenso trabalho que a equipe fez para garantir o sucesso.

“Quando identificamos uma falha de ponto único, damos a ele um tratamento muito especial. Temos o que chamamos de plano de controle de item crítico e sempre adicionamos pontos de inspeção extras. E também fizemos testes off-line extras nesses dispositivos”, garantiu.

O que a ciência espera do telescópio James Webb

Depois de mais de R$56 bilhões gastos nesta que é a missão mais cara da história da Nasa, a agência espera que, em meados de 2022, o telescópio James Webb comece a reunir observações do universo, que vão do surgimento das primeiras estrelas há 13,5 bilhões de anos até a atmosfera de exoplanetas. O observatório é especialista na coleta de luz infravermelha, o que ajudará os astrônomos a estudar os primórdios do universo. 

Segundo a Nasa, ao detalhar e caracterizar a composição da atmosfera de exoplanetas potencialmente habitáveis em busca de informações sobre a origem da vida, ele pode, quem sabe, estudar futuros alvos para exploração humana.

Veja como foi o lançamento do James Webb!

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