Mais de 70 planetas nômades foram encontrados perto da Via Láctea

Também conhecidos como “errantes”, esses planetas não possuem uma estrela própria e flutuam no espaço com uma órbita mais livre
Rafael Arbulu, editado por Layse Ventura 27/12/2021 10:58, atualizada em 27/12/2021 11:54
exoplanetas
Imagem: Nazarii Neshcherenskyi - Istockphoto

Astrônomos da Universidade de Bordeaux, na França, investigaram dados de 20 anos de observação espacial e descobriram algo entre 70 e 170 planetas nômades em uma região próxima da Via Láctea, conhecida como “associação estelar Escorpião Superior”.

Continua após a publicidade

Entende-se por “planeta nômade” aquele que não tem uma estrela própria para orbitar, navegando pelo espaço de maneira mais livre e desgarrada. Em alguns meios, esses corpos celestes são também chamados de “errantes” ou “órfão”.

Leia também

Imagem mostra diversos planetas nômades
Os pontos vermelhos na imagem mostram mais de 100 planetas nômades identificados em novo estudo feito por astrônomos da França (Imagem: Universidade de Bordeaux/Reprodução)

De acordo com a autora primária do estudo, Núria Miret-Roig, todos os planetas identificados têm mais ou menos o mesmo tamanho de Júpiter, o maior do nosso sistema solar. Mais além, a especialista informa que a descoberta dobra o volume de planetas nômades conhecidos, dobrando a quantidade identificada desde a primeira descoberta do tipo, na década de 1990.

Junto de Hervé Bouy, também de Bordeaux, ambos os astrônomos usaram informações coletadas de décadas de monitoramento dos observatórios NOIRLab da Fundação Nacional de Ciência (NSF) dos EUA, além de diversos outros telescópios do ESO, Subaru e o telescópio França-Canadá-Havaí.

“O tesouro de informações disponíveis no arquivo do NOIRLab foi fundamental para esse estudo”, disse Bouy. “Nós precisávamos de imagens de profundidade e bem abertas tanto no campo óptico como no infravermelho, espalhadas por uma longa linha do tempo. Então a Dark Energy Camera e a NEWFIRM eram bastante atraentes para o nosso projeto por serem as câmeras grande angulares mais sensíveis do mundo”.

Normalmente, planetas nômades são descobertos por um processo conhecido como “micro lente”, onde astrônomos observam pequenas mudanças no alinhamento entre um exoplaneta e uma estrela. O problema é que eventos assim são bem raros, e quando ocorrem, é só uma vez, então observações seguintes se tornam impossíveis.

No caso do novo estudo, o método usado foi outro: apesar de não terem uma estrela irradiando luminosidade em suas direções, esses planetas ainda estão quentes o suficiente para brilharem internamente, mesmo após milhões de anos de suas formações. Por isso, câmeras com sensibilidade infravermelha seriam capazes de percebê-los.

O que a equipe liderada por Miret-Roig fez foi medir a luminosidade de todos os membros da associação estelar Escorpião Superior, que está a 420 anos-luz da Terra, combinando essas medidas com a forma como esses corpos se movimentam no céu.

“Nós medimos as menores movimentações, as cores e luminosidades de dezenas de milhões de fontes em uma ampla área do céu”, ela conta. “Isso nos permitiu identificar com segurança até mesmo os objetos mais apagados daquela região”.

Ainda não há um consenso sobre como os planetas nômades são originados. Há quem acredite que eles se formam do colapso de uma nuvem de gás pequena demais para criar uma estrela, ao passo que outros acreditam na “teoria da ejeção”, onde os planetas chegaram a orbitar uma estrela, mas por algum mecanismo ainda desconhecido, foram expulsos de sua trajetória, se desgarrando.

Continua após a publicidade

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

R
Rafael Arbulu

Jornalista formado pela Universidade Paulista, Rafael é especializado em tecnologia, cultura pop, além de cobrir a editoria de Ciências e Espaço no Olhar Digital. Em experiências passadas, começou como repórter e editor de games em diversas publicações do meio, e também já cobriu agenda de cidades, cotidiano e esportes.

Layse Ventura
Layse Ventura

Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.

Gostou? Compartilhe! Ajude mais pessoas a ficarem informadas.
Prefira o OD no Google
Ícone Whatsapp Ícone Whatsapp Ícone Instagram Ícone Facebook Ícone Linkedin Ícone Telegram Ícone Email