Um novo estudo feito pela Instituição de Ciências de Carnegie, nos EUA, promete trazer novos detalhes sobre a matéria escura do universo, ao analisar as correntes estelares posicionadas na fronteira da Via Láctea.

Basicamente, “correntes estelares” são grandes associações de estrelas que formam cadeias alongadas, que formam um arco ao redor da borda de nossa galáxia. O estudo as analisou na esperança de entender como a matéria escura se distribui pela Via Láctea, além de traçar o histórico de como ela cresceu ao longo das eras, devorando várias estrelas.

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Ilustração da Via Láctea, mostrando as correntes estelares no lado externo
Na parte mais externa da Via Láctea, correntes estelares mostram que nossa galáxia vem se alimentando de corpos que encontra fora dela, o que evidencia a presença de matéria escura em nossa “casa” no espaço (Imagem: Zakharchuk/Shutterstock)

“Correntes estelares são, de uma forma resumida, os restos mortais despedaçados de galáxias menores e aglomerados de estrelas que são destruídos pela Via Láctea”, disse Josh Simon, co-autor do estudo e um astrônomo a serviço da Instituição de Carnegie. “Esses restos continuam a se mover juntos em ‘fios’ longos, arqueados, orbitando a nossa galáxia”.

Segundo ele e sua equipe, a ideia do estudo foi examinar várias correntes estelares simultaneamente, o que permitiu que eles identificassem a presença de matéria escura em nossa galáxia, não muito diferente de como pisca-piscas mostram a forma da árvore ao redor da qual estão enrolados, mesmo que você não consiga ver seus troncos ou galhos.

O estudo valeu-se do uso do Anglo-Australian Telescope, localizado no Observatório Spring, na Austrália, bem como informações do telescópio espacial Gaia, da agência espacial europeia (ESA) para medir a velocidade de órbita das correntes, bem como determinar suas composições químicas.

A conclusão a que eles chegaram foi a de que a química dessas correntes possui uma identidade distinta, diferente da maioria das outras estrelas da Via Láctea, o que, segundo os autores, serve como evidência de que elas vieram de outras populações estelares – provavelmente, estrelas anãs, galáxias menores e aglomerados externos que ficaram presos à força gravitacional da nossa galáxia e acabaram absorvidos por ela.

“Estamos vendo essas correntes estelares sendo impactadas pela Via Láctea, eventualmente se tornando parte dela”, disse Ting Li, co-autor do estudo pela Universidade de Toronto. “Este estudo nos deu, basicamente, uma fotografia dos hábitos alimentares da Via Láctea, como por exemplo quais estrelas menores ela ‘devora’. Conforme nossa galáxia fica mais velha, ela também fica mais gordinha”.

O estudo completo foi publicado no Astrophysical Journal.

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