A justiça americana decidiu rejeitar nesta quinta-feira (13) a demanda da Tesla por penalidades mais duras contra as montadoras que ainda não estão de acordo com os padrões mínimos de consumo de combustível dos Estados Unidos.

Não é a primeira vez que o tribunal de apelações do país se posiciona contra a ideia. Em abril de 2021, a ação também foi rejeitada e ficou pendente de revisão pela Administração Nacional de Segurança Rodoviária (National Highway Traffic Safety Administration, ou NHSTA).

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Ainda no ano passado, a montadora comandada pelo bilionário Elon Musk chegou a pedir à justiça uma reavaliação do caso em agosto. Na ocasião, a NHTSA sugeriu que poderia impor penalidades mais altas, porém, apenas para veículos lançados alguns anos antes.

Concessionária da montadora de carros elétricos Tesla
Concessionária da Tesla. Imagem: Ivan Marc/Shutterstock

Para entender melhor o caso, é importante destacar que a Tesla oferece uma verba em dinheiro para outras montadoras em forma de créditos. O capital extra é destinado para pagar multas e também se adequar tanto as regras de economia como de emissão de gases previstas pelo governo americano. Contudo, graças a gestão Trump, essa “ajuda” deixou de ser ainda mais atraente para as concorrentes.

Nos últimos dias de governo, o ex-presidente dos EUA decidiu atrasar um regulamento de 2016 que previa dobrar as penalidades para as montadoras que não se adequassem às diretrizes do ‘Corporate Average Fuel Economy’ (CAFE) — um padrão que regula o quão longe um veículo deve percorrer com um galão (cerca de 3,8 L) de combustível no tanque.

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Se fosse aprovado, as multas mais elevadas poderiam gerar, segundo as montadoras, penalizações de até US$ 1 bilhão por ano, o que aumentaria o interesse em procurar créditos como o oferecido pela montadora de carros elétricos.

Tanto é que, segundo a Reuters, em agosto do ano passado a Tesla solicitou a NHTSA que o órgão retomasse a ação impedida por Trump “imediatamente”. Em contrapartida, um grupo representando por outras grandes montadoras, incluindo General Motors, Toyota, Ford e Volkswagen se opuseram à ideia.

Segundo o grupo, com a mudança prevista no processo administrativo, a Tesla poderia “se beneficiar” com a oferta dos seus créditos.

No fim, como contexto, a Chrysler também foi uma das que indicou que os custos relacionados a possíveis penalidades mais altas poderiam alcançar quase US$ 600 milhões no seu caso. Em comparativo, a montadora pagou cerca de US$ 150 milhões em multas por não cumprir os requisitos do governo entre 2016 e 2017 (quatro vezes menos).

Via: Reuters

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