Um membro do grupo responsável pela estratégia digital da família do presidente Jair Bolsonaro (PL) foi visto na feira aeroespacial Dubai Air Show, em novembro do ano passado, negociando com um representante da empresa emiradense DarkMatter, que produz um poderoso software espião. A ferramenta de monitoramento seria utilizada especialmente para ações durante este ano eleitoral. As informações são do site UOL.

Segundo a publicação, que deu a informação nesta segunda-feira (17), o integrante do grupo é brasileiro, perito em inteligência e contrainteligência e responde de forma extraoficial ao vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). O especialista, que não teve o nome informado, foi visto entrando no estande de Israel, participando pela primeira vez do Dubai Air Show, para conversar sobre a ferramenta. Desde 2020, Emirados Árabes (confederação da qual Dubai faz parte) e Israel normalizaram suas relações diplomáticas.

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A DarkMatter é uma empresa de cibersegurança fundada em 2015 e com sede em Abu Dabi, que também fica nos Emirados Árabes. A empresa oficialmente se diz restrita a ciberdefesa, mas informações da Reuters constam que, anos atrás, ela forneceu serviços de hackeamento para a inteligência do país contra alvos no Ocidente, jornalistas e ativistas de direitos humanos. A companhia possui escritório em Chipre e emprega, em sua maioria, desenvolvedores de Israel — boa parte egressa da Unidade 8200, força de hackers de elite vinculada ao exército israelense.

Entre as técnicas oferecidas pelo software espião, está a “infecção tática”. Trata-se de uma tecnologia desenvolvida por empresas como a DarkMatter em que o software acessa o celular do proprietário de forma clandestina e consegue deter todo seu conteúdo quando o aparelho se conecta à rede.

Tratativas com a empresa suíça Polus Tech

Ainda segundo o UOL, o grupo ligado ao Planalto trabalha em outra dianteira para adquirir um software espião da empresa suíça Polus Tech. O CEO da empresa, Niv Karmi, é um dos fundadores do grupo NSO, arquiteto do traiçoeiro malware Pegasus. As negociações com ambas as empresas ainda não foram finalizadas, de acordo com informações do site.

No ano passado, em entrevista ao Olhar Digital, a pesquisadora Marina Meira, coordenadora geral de projetos da Data Privacy Brasil, já havia alertado para o risco da utilização de ferramentas espiãs nas eleições.

“Sem dúvida, especialmente no contexto de ebulição que o Brasil se encontra nesse momento e só deve aumentar em 2022”, disse Meira. “Mas o que temos visto nos últimos anos é o que chamamos de ascensão do tecnoautoritarismo, que seria o aumento de uso de tecnologias, incluindo tecnologias de vigilância e spywares, como o Pegasus, para o recrudescimento da democracia e prática de atos autoritários.”

Via UOL

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