Em sua trajetória em direção ao Sol, o Solar Orbiter, satélite operado pela NASA e ESA, conseguiu mais uma vez voar pela cauda de um cometa, coletando uma série de informações durante o percurso.

O encontro já havia sido antecipado por cientistas da Universidade de Londres, no Reino Unido, que usou modelos matemáticos para identificar o ponto onde os caminhos da nave com o cometa C/2021 A1 Leonard se cruzariam. Como já era de se esperar, um enorme volume de informações foi coletado e agora aguarda a análise de especialistas.

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Compilado mostra momentos de captura do encontro entre o Solar Orbiter e o cometa Leonard
Compilado mostra momentos de captura do encontro entre o Solar Orbiter e o cometa Leonard (Imagem: NASA/ESA/Divulgação)

O encontro comunicado nesta semana ocorreu em 21 de dezembro de 2021, com o Solar Orbiter coletando informações de partículas do campo magnético do cometa. Esses dados, estimam especialistas, permitirão saber como esses corpos celestes interagem com os chamados ventos solares — uma dispersão de partículas emitidas pelo Sol e que se espalha por todo o nosso sistema.

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“Eu rodei uma simulação do Solar Orbiter com o cometa Leonard, estimando a velocidade do vento solar. E foi aí que eu vi que, mesmo em uma ampla variedade de velocidades dos ventos, ainda haveria um cruzamento dos dois objetos”, disse Samuel Grant, estudante de pós-graduação da universidade pelo Laboratório Mullard de Ciência Espacial.

Na ocasião do encontro, o Solar Orbiter estava próximo à Terra, já que, pouco menos de um mês antes (27 de novembro), ele havia circulado o nosso planeta para ganhar um novo impulso que o colocaria em direção ao Sol — algo que deve ocorrer em março de 2022, vale lembrar.

Uma informação interessante é a de que o Leonard, da perspectiva da Terra, parece um objeto pequeno, mas na verdade ele é consideravelmente grande: o voo do Solar Orbiter cruzou com a cauda do cometa, aqui na Terra. Mas seu núcleo, na mesma ocasião, estava mais próximo de Vênus, há 44,5 milhões de quilômetros (km) de distância.

Antes do Solar Orbiter, o encontro de um cometa com uma espaçonave da Terra era uma ocasião percebida apenas depois do fato. A missão Ulysses, por exemplo, viu três caudas de cometas, incluindo o C/1996 B2 Hyakutake (maio de 1996) e o C/2006 P1 McNaught (início de 2007). O próprio Solar Orbiter teve um outro encontro do tipo, há alguns anos, acompanhando a cauda do C/2019 Y4 ATLAS em maio e junho de 2020, pouco depois do seu lançamento. Entretanto, assim como o cruzamento mais recente, nós também já havíamos previsto essa ocasião.

“A grande vantagem é a de que há praticamente zero esforço por parte da nave: você ganha uma amostra de um cometa a uma distância massiva. Isso é bem empolgante”, disse Grant, que disse que vai analisar dados de outras naves para tentar identificar cruzamentos que tenham passado despercebidos.

Enquanto isso, seguimos aguardando a continuidade da missão do Solar Orbiter: o objeto operado pela NASA e ESA deve fazer, em março de 2022, sua passagem mais próxima do Sol até agora (algo em torno de 50 milhões de km), o que deve render as imagens mais próximas – e mais detalhadas – da nossa estrela.

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