Através da estratégia de marketing dos fabricantes de cigarros eletrônicos, a venda do produto se dá na tentativa de convencer os consumidores de que eles são uma alternativa ao tabaco e um caminho para que os fumantes larguem a nicotina. Só que um novo estudo apresenta o argumento contrário.

A pesquisa foi encomendada pelo governo dos Estados Unidos e indica que o consumo de cigarro eletrônico com nicotina foi menos eficaz do que outras estratégias para largar de fato o vício. Tanto que ao ser comparado com outros produtos, foi 7% menos eficaz em média.

O trabalho é uma análise desenvolvida pelos pesquisadores da Universidade da California em San Diego e financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA. Para saber se o consumo é eficaz como porta de saída para o tabagismo, a equipe levantou dados do programa PATH (Population Assessment of Tobacco and Health), o qual acompanha dados sobre consumo de cigarro eletrônico entre 4.900 fumantes e ex-fumantes desde 2017.

Portanto, o monitoramento incluiu registros sobre tentativas de largar o vício, como chicletes e emplastros de nicotina, inaladores ou medicamentos como vareniclina e bupropiona. O foco no estudo se deu há cinco anos porque foi quando se deu um aumento na vendas do cigarro eletrônico com o marketing de que era mais saudável.

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Isso porque alguns estudos clínicos pequenos indicavam que o cigarro eletrônico poderia mesmo ajudar a cessar o tabagismo, só que outros dados colhidos – fora do contexto de ensaios clínicos financiados pelas empresas – não pareciam corroborá-los, dizem os cientistas.

“O aumento de vendas em cigarros eletrônicos com alto teor de nicotina não se traduziu em um número maior de fumantes usando esses produto para largar o tabagismo. Em média, o uso de cigarros eletrônicos a partir de 2017 não levou a uma interrupção de sucesso nem preveniu recaídas”, escreveram os cientistas.

Ilustração de cigarro eletrônico
Cigarro eletrônico. Créditos: Shutterstock

De acordo com os números, o risco de recaídas para cigarro comum entre os “vapers” era  7,3% maior quando comparado a medicamentos pró-abstinência, e 7,7% maior quando comparado a outros métodos não farmacológicos. Ademais, até os voluntários que não usaram nenhum tipo de ajuda para tentar largar o vício tiveram mais sucesso que os usuários de cigarro eletrônico, apontou o estudo.

“Esse novo produto representa mais lucro e é a estratégia deles para repor os fumantes que estão parando de fumar ou estão morrendo em consequência do cigarro. Os cigarros eletrônicos são uma reinvenção do tabagismo para a indústria continuar a aferir seus lucros”, afirmou a sanitarista Silvana Turci, do Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde da Fiocruz (CETab).

Fonte: O Globo

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