A Planetary Society anunciou nesta quarta-feira, 16 de fevereiro, os vencedores do Prêmio Shoemaker NEO de 2021. Entre os premiados está o observatório brasileiro SONEAR, de Oliveira, em Minas Gerais. O prêmio é oferecido a astrônomos amadores que se destacam em seus esforços para encontrar, rastrear e caracterizar asteroides próximos à Terra. Esse trabalho é considerado essencial para a proteção do nosso planeta, uma vez que ainda conhecemos muito pouco sobre essas rochas espaciais que podem ser perigosas para a humanidade. 

Embora existam observatórios profissionais dedicados a essa atividade, e  que são responsáveis pela maioria das descobertas, eles não têm o tempo de observação ou distribuição geográfica necessárias para cobrir todo o céu nem para realizar todas as atividades necessárias. Por isso, a Planetary Society identifica e premia astrônomos amadores de todo o mundo que trazem importantes contribuições nesta pesquisa, como uma forma de incentivar esses cidadãos a continuar seu trabalho além de subsidiar resultados ainda melhores. 

Entre os premiados na edição de 2021 do Prêmio Shoemaker está o observatório brasileiro SONEAR, dos astrônomos amadores Cristóvão Jacques, João Ribeiro de Barros e Eduardo Pimentel. SONEAR é um acrônimo para Southern Observatory for Near Earth Asteroids Research (Observatório do Sul para a Pesquisa de Asteroides Próximos da Terra), que basicamente, resume a que ele se dedica desde que foi fundado em 2014: a busca de asteroides próximos à Terra. 

Cristóvão Jacques, Eduardo Pimentel, João Ribeiro de Barros no SONEAR – Créditos: SONEAR

Localizado em Oliveira, Minas Gerais, o observatório já foi responsável pela descoberta de 36 asteroides próximos à Terra, 9 cometas e vários outros objetos em nosso Sistema Solar e de fora dele. Em reconhecimento à excelência desse trabalho realizado pelos brasileiros, a Planetary Society vai premiar o SONEAR com um subsídio de US$ 9.195,00, que deve ser investido em equipamentos. 

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Segundo Cristóvão Jacques, um dos astrônomos do SONEAR, esta ajuda financeira será muito importante para o observatório. “Poderemos adquirir uma câmera bem mais sensível que a que temos hoje e isso nos permitirá detectar os asteroides de brilho mais fraco”, diz o astrônomo.

Outra melhoria será uma nova placa de vídeo que permitirá ao SONEAR aumentar a eficiência de suas detecções. “Na nossa proposta para a Planetary Society colocamos uma placa de vídeo ou GPU, que usaremos para aumentar o processamento de imagens com uma nova técnica de detecção chamada synthetic tracking” completa Jacques. 

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Em seu anúncio, a Planetary Society destaca ainda a importância do SONEAR devido a sua localização no Hemisfério Sul, o que permite a cobertura do céu austral, pouco acessível aos programas de buscas profissionais do Hemisfério Norte. 

Esta é a primeira vez que o SONEAR é contemplado com o Prêmio Shoemaker NEO. Entretanto, Cristóvão Jacques já recebeu esse mesmo prêmio antes. Foi no ano 2000, quando já trabalhava na busca de asteroides, mas em um observatório na Serra de Piedade, próximo a Belo Horizonte.

Este ano, o Prêmio Shoemaker NEO contemplou 8 projetos ou observatórios com subsídios que totalizaram quase US$ 75 mil. Além do SONEAR, também foram premiados:

  • Vladimir Benishek, do Observatório Astronômico de Sopot, na Sérvia
  • Fabrizio Bernardi e Maura Tombelli do Gr.AM (Gruppo Astrofili Montelupo) no Observatório Beppe Forti, na Itália
  • Massimo Calabresi, Roberto Haver e Raniero Albanesi, da Associazione Romana Astrofili, na Itália
  • Gary Hug, David Cromer, Doug Goodin e Russell Valentine, da Northeast Kansas Amateur Astronomers League, no Observatório Farpoint, no Kansas, nos Estados Unidos
  • Korado Korlevic, do Observatório Višnjan, na Croácia
  • Alain Maury, do MAP Survey, no Chile, trabalhando com Georges Attard, da França e Daniel Parrot, dos EUA
  • Florent Losse, da França

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