Quantos materiais vindos de lugares desconhecidos do universo trafegam no nosso sistema solar? Há poucos meses, o Olhar Digital tratou desse assunto. Agora, com o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da Nasa, na ativa, os cientistas especiais acreditam que serão possíveis análises com detalhes sem precedentes desses objetos interestelares.

‘Oumuamua é um objeto interestelar que passou pelo nosso sistema solar e foi identificado em 2017. Crédito: Wikimedia Commons

Até o momento, foram identificados dois objetos que vieram de outros sistemas solares e atravessaram o nosso. Em 2017 os astrônomos avistaram o ‘Oumuamua, e, em 2018, foi a vez do cometa Borisov. Ambos deram aos cientistas um pequeno vislumbre de outros sistemas planetários.

Como o surgimento desses objetos parece imprevisível, os astrônomos têm que batalhar para reunir o máximo possível de observações durante o breve período que eles estão perto o suficiente. Com o JWST, eles esperam a ampliação dessa janela.

“Com o Webb, podemos fazer ciências realmente interessantes em magnitudes ou brilhos muito mais fracos”, disse Cristina Thomas, astrônoma da Universidade do Norte do Arizona, em um comunicado do Space Telescope Science Institute, em Baltimore, que supervisiona as operações para a missão Webb. Ela está na equipe de pesquisa que organizou o uso do observatório para estudar um possível objeto interestelar que venha a surgir no primeiro ano de trabalho do telescópio.

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cometa Borisov em reprodução ilustrativa
Cometa Borisov em reprodução ilustrativa. Objeto interestelar foi avistado da Terra em 2018. Imagem: M. Kormesser/ESO

Análise de infravermelho é o maior diferencial do Telescópio Espacial James Webb

“A sensibilidade suprema e o poder de Webb agora nos apresentam uma oportunidade sem precedentes para investigar a composição química desses objetos interestelares e descobrir muito mais sobre sua natureza: de onde eles vêm, como eles foram feitos e o que eles podem nos dizer sobre as condições presentes em seus sistemas domésticos”, declarou Martin Cordiner, principal investigador do projeto. Cordiner é um astrofísico do Goddard Space Flight Center, da Nasa, e da Universidade Católica da América em Washington, D.C.

A força particular do JWST está na coleta e análise da luz infravermelha. Essa especialidade é a razão pela qual o observatório deve estar localizado tão longe da Terra e carregar um escudo de proteção solar tão avançado, já que o calor interfere na detecção desta frequência de luz. 

“Nunca fomos capazes de observar objetos interestelares nesta região do infravermelho”, disse Cristina. “Abre muitas oportunidades para as diferentes assinaturas composicionais que estamos interessados. Isso vai ser um grande benefício para nós”.

Especificamente, a equipe usaria observações infravermelhas para estudar qualquer gás e poeira que o objeto interestelar venha a emitir, dando aos cientistas uma demonstração do sistema nativo do objeto. “A capacidade de estudar um desses e descobrir sua composição – ver realmente material de outro sistema planetário de perto – é realmente uma coisa incrível”, disse Cordiner.

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