Nesta semana, o Olhar Digital trouxe uma possível explicação para o mistério dos anéis sem planetas, além de divulgar uma pesquisa que revela quantos buracos negros existem no universo. Seguindo a mesma linha dessas curiosidades cósmicas, o assunto desta vez é a composição do nosso sistema solar: afinal, quantos materiais vindos de outros sistemas estelares trafegam por aqui?

O objeto interestelar ‘Oumuamua já não está mais em uma área observável. Crédito: Wikimedia Commons

Objetos como o ‘Oumuamua, o cometa 2I/Borisov e alguns meteoroides são exemplos de visitantes vindos de outros sistemas solares que já foram detectados nas proximidades do nosso Sol. Detecções como essas nos fazem pensar quantos outros corpos alienígenas também fazem parte da lista.

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De acordo com o site Space, esse número poderia facilmente chegar a centenas de trilhões (se não mais), se a ejeção de detritos for um efeito colateral comum da formação de sistemas solares. Esse pensamento – que pode haver incontáveis ​​objetos minúsculos voando ao redor da Via Láctea – leva a outra questão ainda mais profunda: quanto do sistema solar foi feito originalmente aqui e quanto dele foi capturado em lixo espacial errante?

Pesquisa desenvolve método para calcular quantidade de corpos interestelares no sistema solar

Até o momento, não houve detecções de quaisquer objetos extrasolares atualmente em órbita ao redor do Sol (os exemplos citados acima tiveram passagens pontuais registradas, mas não estão mais por aqui). 

No entanto, essa falta de detecção não quer dizer, necessariamente, que não haja rochas alienígenas escondidas nas sombras da imensidão neste momento. Afinal, mal mapeamos todas as grandes rochas do cinturão de asteróides ou do muito mais distante – e muito mais difícil de observar – Cinturão de Kuiper, que fica nos confins do sistema solar, além de Plutão.

Estudar as rochas uma a uma, em busca de um asteroide ou cometa estranho, é um processo extremamente lento, especialmente se não sabemos o quão comuns esses corpos são.

Ainda assim, uma nova pesquisa, publicada no servidor de pré-impressão arXiv e aceita para publicação pelo The Planetary Science Journal, tenta estimar o número de objetos interestelares capturados que chegam ao sistema solar e monitorar quanto tempo esses objetos permanecem aqui.

2I/Borisov, é o primeiro cometa interestelar visto no Sistema Solar. Imagem: Droneandy – Shutterstock

Para isso, os pesquisadores usaram diversas simulações. Eles estudaram o comportamento de 276.691 objetos que entram no sistema solar em todos os tipos de direções e velocidades, e traçaram a evolução de cada um desses objetos simulados dentro do sistema solar desde um bilhão de anos atrás. 

Os cientistas descobriram que a maioria dos objetos interestelares não sobrevivem por muito tempo. Se eles terminarem ao redor do Sol, dentro da órbita de Júpiter, é muito provável que tenham um encontro próximo com o imenso planeta. E quando esse encontro imediato acontece, eles são consumidos pelo gigante gasoso ou jogados de volta para fora do sistema solar.

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Agora, se o objeto estranho terminar em uma órbita com um plano próximo aos dos outros planetas, ele provavelmente será ejetado pelas influências gravitacionais combinadas de todos os membros originais do sistema solar, segundo o estudo.

Objetos estranhos têm dificuldade de permanecer no sistema solar

Assim, concluíram que objetos estranhos têm dificuldade em sobreviver no sistema solar. Dos mais de 270 mil objetos simulados, apenas 13 permaneceram por mais de 500 milhões de anos, e apenas três continuaram por um bilhão de anos nas redondezas.

Saber quanto tempo os corpos interestelares conseguem permanecer no sistema solar era um ponto da pesquisa. O outro era estimar quantos objetos estão entrando aqui agora. A estimativa – de caráter especulativo – se baseia em modelos de formação planetária e nas poucas informações coletadas sobre ‘Oumuamua e Borisov.

Segundo o estudo, quando o Sol estava se formando, ele estava embutido em um aglomerado de estrelas muito maior. Por estar muito mais perto de outras estrelas em formação (e, consequentemente, sistemas planetários em formação), era muito mais provável que capturasse material estranho naquela época. 

Os pesquisadores estimaram que o Sol capturou objetos suficientes durante sua fase de nascimento para reunir 1/1000 da massa da Terra, o que poderia ser o bastante para produzir cerca de seis asteroides do tamanho do planeta anão Ceres.

Por fim, a pesquisa diz que nos bilhões de anos desde que o sistema solar nasceu, objetos como o ‘Oumuamua e o cometa Borisov passaram por aqui todos os anos.

Resumindo: não devemos esperar muito material interestelar no sistema solar – apenas um bilionésimo da massa da Terra de objetos estranhos capturados durante a formação do nosso sistema e mais de mil vezes menos do que passou por aqui desde então, estimam os autores do estudo. Essa quantidade mal é material suficiente para formar um único asteroide de 10 quilômetros de largura.

Esse resultado tem duas implicações importantes. Primeiro, não devemos nos preocupar em procurar objetos estranhos capturados, porque eles são extremamente raros. Segundo, a teoria da panspermia, que postula que a vida pode ter começado em outro lugar e ter sido carregada para a Terra mais tarde, não seriam sustentável. 

Simplesmente não há material suficiente voando pela galáxia, invadindo sistemas solares, entrando em órbitas estáveis ​​e impactando outros planetas para fazer a ideia funcionar.

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