Um novo estudo aponta que o Bitcoin ficou ‘menos verde’ desde que a China decidiu adotar uma série de medidas contra a mineração de criptomoedas. Pesquisadores estimam que a extração de Bitcoins causa emissão de CO2 comparável à de toda a Grécia.

O Bitcoin, sugere a pesquisa, produz 65,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Em comparação, a Grécia emitiu 56,6 milhões de toneladas de dióxido de carbono em 2019.

O uso de energia renovável na mineração, por sua vez, caiu de 41,6% em 2020 para apenas 25,1% em agosto do ano passado. Curiosamente, o mesmo período em que as mineradoras de criptoativos foram obrigadas a deixar de usar a energia das hidrelétricas chinesas. Desde então, muitas passaram a operar em outros países, como EUA e Cazaquistão.

Os mineradores de Bitcoin geralmente se mudam para países com eletricidade mais barata, já que os dispositivos utilizados na mineração costumam consumir muita energia. 

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Pesquisadores dizem que pode ser por isso que o Bitcoin se tornou menos ecológico. “Observamos a rede (do Bitcoin) se tornando menos verde do que nunca”, disse Alex de Vries, um dos autores do estudo publicado na Joule Magazine.

Ilustração sobre o debate do uso de energia em criptomoedas e o seu impacto ambiental.
Ao todo, a pesquisa estima que a pegada de carbono do Bitcoin aumentou cerca de 17%. Imagem: Overearth/Shutterstock

Os resultados vão contra as expectativas sobre o uso de energia renovável na mineração de criptoativos. O Bitcoin Mining Council, por exemplo, chegou a estimar que o uso de energia sustentável na indústria de mineração global “havia crescido para 58,5%”.

No fim, considerando todos os achados, a pesquisa estima que a pegada de carbono do Bitcoin aumentou cerca de 17%.

“A pegada de carbono por transação única de Bitcoin é de algo como 669 quilos de dióxido de carbono”, disse De Vries. O que, segundo o pesquisa, se compara à pegada de carbono por passageiro de um voo de Amsterdã para Nova York.

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Migração dos mineradores impulsionou o consumo de combustíveis fósseis

A tendência de mudança dos mineradores para os EUA, por exemplo, aumentou o consumo de combustíveis fósseis na extração de criptomoedas, principalmente gás natural, disse De Vries. 

O pesquisador acrescenta que alguns estados do país, como Texas, Kentucky e Geórgia, inclusive concedem incentivos fiscais para atrair mineradores de Bitcoin.

No caso do Cazaquistão, o caso é ainda mais grave, já que a nação ainda opera com usinas de energia a carvão, uma fonte de energia ainda mais poluente.

De Vries e os coautores da pesquisa reforçam a necessidade da indústria de criptomoedas acelerar os seus esforços de descarbonização. Uma das iniciativas cujo objetivo é alcançar este fim é a ‘Crypto Climate Accord’.

Seus membros já se comprometem a atingir emissões zero relacionadas às suas operações de criptomoedas até o ano de 2030. Ainda assim, o relatório conclui que ainda não há “uma solução rápida para a pegada de carbono do Bitcoin à vista”.

Fonte: Joule Magazine, BBC

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