Andei no elétrico Volvo C40 Recharge no México e foi exquisito

Numa breve, mas excitante viagem, ficou claro que no que o espírito do novo elétrico puro Volvo C40 é diferente do de seu antecessor
Fábio Marton, editado por Acsa Gomes 22/03/2022 21:02, atualizada em 24/03/2022 15:15

Exquisito, não esquisito. É em espanhol. Achei dirigir o Volvo C40 Recharge no México uma experiência cuja melhor palavra para descrever é essa: “exquisita”. Mas nem um pouco esquisita.

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Para lançar o modelo, a marca sueca realizou um evento em solo mexicano e eu estava lá representando o Olhar Digital. Fizemos um caminho longo, de 120 quilômetros em cada pernada, entre a Cidade do México e a histórica Hacienda Santa Inés, na cidade de Cuatla, no Estado de Morelo.

Assista na matéria do Olhar Digital News:

Até lá, foi um caminho desafiador, com muitas curvas e subidas íngremes, trechos de mão dupla, obras, passando uma elevação que simplesmente não existe no Brasil, de 3100 metros (nosso ponto mais alto, o Pico da Neblina, fica a 2995 m).

Foram duas horas guiando o carro. Não acho o suficiente para escrever uma resenha, mas estas são as impressões.

A hacienda é um lugar tão México que a câmera parece que aplicou um filtro amarelo | Imagem: Olhar Digital

O irmão mais descolado

Começa, como qualquer carro, antes de entrar. O C40 parece, à primeira vista, parece uma atualização anual do XC40. Eles tem o mesmo comprimento, a mesma largura, quase mesma autonomia, muitos recursos em comum.

Não que seria ruim ser a versão 2023 do XC40, porque já era um baita de um carro, que o Olhar Digital testou e aprovou.  

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Mas o C40 sem X está mais para um irmão mais novo. É outra pessoa. Parecida, que herdou o guarda-roupa do irmão. Mas com o C40 a Volvo tentou criar um irmão mais cool do XC.

A frente, à primeira vista parece indistinguível. É preciso ver os dois lado a lado para ficar claro que o C40 é mais baixo e com um teto mais liso, mais aerodinâmico, e com algumas mudanças na grade inferior, lembrando mais os XC60.

À esquerda, o XC40; à direita, o C40 | Imagem: divulgação

Sinceramente, a frente me pareceu uma decisão conservadora. O aspecto ainda é o de ter uma grade tapada, e não que a grade nunca esteve lá. Um design mais ousado, se distanciando mais dos carros a combustão interna, poderia ser uma pedida, quando se compara com a traseira.

É quando você vê o reverso que começa a ficar claro onde a Volvo quis chegar com o C40. A traseira traz à memória o DeLorean de De Volta para o Futuro, com dois spoilers e uma lanterna futurista. Sugere bem mais ousadia que a do irmão mais velho.

Volvo C40 Recharge
Traseira do Volvo C40 Recharge | Imagem: Pedro Dantas/Divulgação

As rodas também tem um design mais fechado e mais aerodinâmico, por conta de um veículo elétrico exigir menos resfriamento.

Um SUV elétrico, com esse design, parece fazer mais jus ao S da sigla Sports Utility Vehicle que a média. É um carro cool. Que vem de uma empresa que, no passado, já teve seu nome relacionado a carros, vamos dizer, caretas: sólidos, seguros, impecáveis, mas também sisudos.

Nova forma de dirigir

Entrar no carro traz o interior de couro e camurça sintéticos, feitos com materiais recicláveis: segredos industriais da Volvo. Quem compra, elétrico, afinal, espera-se se importar com o ambiente. A sensação é muito próxima ao natural.

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A outra coisa que se nota imediatamente é que o carro não tem botão de partida. Nem freio de mão. Você simplesmente pisa no freio, muda a marcha para D ou R e sai andando. Clicar no botão P, fora da alavanca, ativa o freio de mão e “desliga”.

Câmbio do Volvo C40 Recharge
Câmbio do Volvo C40 Recharge | Imagem: Fábio Aro/Divulgação

E já na largada – ao menos se for uma largada lentinha como fiz na Hacienda – pode perceber outra grande sacada: o sistema de radar 3D. Quando você dá ré ou quando o carro percebe que está numa situação de possível estacionamento – muitos obstáculos, pouca velocidade – o C40 aparece num mapa visto por cima.

Estacionando na Hacienda Santa Inês | Imagem: Fábio Marton/Olhar Digital

As câmeras, em todas as direções, estão lá, e você pode usá-las. Mas sinceramente é tão perfeito que sequer dá vontade de olhar pela janela. Dirigir às cegas parece mais preciso do que enxergando.

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A interface é em Android for Cars, com conexão de internet constante, atualizações em tempo real, e não na concessionária.

A terceirização é uma excelente notícia: GPS de fábrica costuma ser problemático, incapaz de identificar congestionamentos e propor rotas alternativas e às até ordenando violações de regras de trânsito, porque não tem a mesma base de dados nem é atualizado tão rápido quanto os sistemas do Google e da Apple.

Outra vantagem de internet em tempo real é poder planejar bem as rotas entre postos de abastecimento ativos e disponíveis. Para quem sofre de ansiedade de alcance, o C40 teve uma melhora notável em relação ao antecessor, por causa da aerodinâmica, bateria e avanços na regeneração de energia: agora ele alcance 440 km contra 358 km no antecessor (a versão mais potente, com dois motores, que é a base de comparação, mas a versão simples também perde por 20 km). 

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Ligeirinho

Vamos falar do que não é visível: o coração (ou esqueleto?) da diferença: o C40 é o primeiro Volvo a já nascer elétrico. O power train, o chassis, é criado do zero só para elétricos. O XC era um projeto de carro a combustão interna, que virou híbrido, e que terminou puro elétrico. O C não herda essas roupas do irmão.

E é na estrada que você percebe que a evolução sutil é perceptível também por dentro.

Alguém se lembrou do Guarujá? | Imagem: Fábio Marton/Olhar Digital

Ela se traduz numa versão ampliada da maior graça de um elétrico puro, e mais ainda um com 408 cv: a aceleração.

Você pisa e, em completo silêncio, ele rasga a pista. Ainda que o XC e o C tenham a mesma aceleração nominal (0 a 100 km/h em 4,7 segundos) a aerodinâmica extra do Volvo C40 significa que o silêncio, essa serenidade meio fantasmagórica, combinada com o impacto brutal da aceleração causa uma impressão ainda mais memorável.

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Foi bom ter um carro assim em mãos, porque mexicanos parecem se inspirar no seu conterrâneo fictício, o rato Ligeirinho, quando o tema é andar na estrada: eles pisam fundo. Obviamente, manter-se no trânsito não foi um desafio em momento nenhum.

E manter-se na estrada tampouco foi desafio. O carro tem um sistema de condução automática eficiente, ainda que não seja autonomia real: ele se guia pelas faixas e a distância do carro à frente, e você deve manter as mãos sempre ao volante.

Mas, guiando no manual, a sensação é de ainda mais solidez. Com portentosos 2,185 kg, ele também tem um centro de gravidade bem baixo. Some-se o peso e a aerodinâmica, você tem um veículo que anda grudado na estrada. Nas curvas pesadas do percurso mexicano, simplesmente não havia a menor sensação de instabilidade, ainda que desse para sentir a força lateral no corpo. Era quase um trem.

Tem um lado negativo disso, que deu para notar bem nas estradas íngremes do México: o C40 pode embalar na descida como um caminhão. É preciso regular bem o pé no freio para manter sua velocidade.  

E para isso existe um recurso que pode ajudar: o One Pedal Drive. Você esquece o freio, só usa o acelerador. Se pisar pouco, vai devagar, se pisar muito, vai rápido, e se não pisar nada, ele para, usando freio regenerativo, comportando-se um tanto como o freio motor dos caminhões. 

A equipe da Volvo descreveu como um recurso de segurança e economia de bateria (o freio é sempre regenerativo), que não é tão responsivo na aceleração, que a maioria dos motoristas acha pouco prazeroso. Mas é sinceramente uma coisa revolucionária, um jeito completamente novo e, ao experimentar, completamente alienígena de dirigir.

Leva um bocado de tempo para pegar o jeito, mas pode acabar sendo, com sua evolução, o caminho do futuro. Afinal, todo mundo que aderiu ao elétrico também teve que esquecer como usar a embreagem.

Exquisito!

De volta ao começo, para quem não abriu o dicionário de espanhol no link: como o português “esquisito”, o espanhol “exquisito” significa uma coisa fora do comum. Mas em espanhol é sempre num bom sentido. Algo raro que causa sensação, como uma iguaria, ou um perfume distinto.

Sendo uma versão evoluída de uma fórmula que já era vencedora, e inspirado pelo país no qual estava, é essa a palavra que escolhi. Exquisito! Muy rico!

O XC40 sai R$ 389.950, enquanto o C40 sai por 419.950. São R$ 30 mil, mas, em relação ao preço, é menos de 10%. A diferença entre os dois compensa esse investimento.

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Fábio Marton

Fábio Marton é redator(a) no Olhar Digital

Acsa Gomes
Acsa Gomes

Acsa Gomes é formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela FAPCOM. Chegou ao Olhar Digital em 2020, como estagiária. Atualmente, faz parte do setor de Mídias Sociais.

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