Na sexta-feira (8), às 12h17 (pelo horário de Brasília), acontece o lançamento da primeira missão totalmente privada à Estação Espacial Internacional (ISS), sem a presença de nenhum oficial da ativa de qualquer agência espacial federal. Um foguete Falcon 9, da SpaceX, levará quatro tripulantes da Axiom Space ao laboratório orbital, na missão batizada de Ax-1.

Durante os oito dias que os astronautas vão passar a bordo da ISS, eles vão realizar uma série de experimentos científicos. Um deles será o uso de um capacete de leitura cerebral, para obter uma visão de alta resolução das alterações neurais que acontecem no cérebro humano no espaço.

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A startup israelense Brain.Space, responsável por desenvolver o dispositivo, diz que seu exame do cérebro será único, pois, segundo eles, “atualmente não há dados longitudinais de alta qualidade sobre as mudanças neurais em missões espaciais prolongadas”.

Ao coletar e estudar essas informações, a empresa tem como objetivo entender como o cérebro se adapta no espaço, que é um ambiente cheio de desafios, como radiação, microgravidade e isolamento. Aprendendo sobre as “mudanças plásticas do dia a dia do cérebro”, a empresa afirma que essas adaptações podem ajudar futuros astronautas a ficarem mais confortáveis em órbita.

O capacete Brain.Space mapeará como o cérebro muda durante o voo espacial durante a missão privada Ax-1, da Axiom Space, para a Estação Espacial Internacional. (Crédito da imagem: Brain.Space)

Estudos neurais já foram realizados no espaço antes. No entanto, a Brain.Space diz que esses estudos foram realizados usando sistemas baseados em gel que avaliam a atividade elétrica em baixa resolução, conhecidos como EEGs (ou eletroencefalograma).

Segundo a empresa, “os experimentos eram complexos para serem criados em microgravidade e focavam apenas em simples medições de atividade cerebral”, já o seu equipamento, simplificará a configuração e dará muito mais detalhes sobre como o cérebro se comporta.

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Capacete de leitura cerebral da missão Ax-1 vai coletar dados duas vezes ao dia

A startup explica que seu capacete não somente vai monitorar a atividade cerebral, como também analisar o desempenho cognitivo, ou seja, como o cérebro capta e usa o conhecimento no espaço. O equipamento também deve fornecer algumas métricas para avaliar a saúde do cérebro no espaço, que pode ser útil para mais estudos no futuro.

Serão coletadas gravações de EEG de 15 minutos duas vezes ao dia ao longo de toda a estadia dos tripulantes da Ax-1 na ISS. Os vídeos vão para a sede da Brain.Space em Tel Aviv, Israel, para solução de problemas e assistência, e os dados serão analisados tanto pela equipe da empresa quanto por seu parceiro de pesquisa, Universidade Ben-Gurion do Neguev, em Beersheba, também em Israel.

A startup espera poder usar o resultado do experimento para ajudar indivíduos na Terra com problemas cerebrais, como distúrbios de sono ou esquizofrenia.

Embora toda a tripulação tenha sido treinada para o uso do equipamento, não está claro se os quatro vão fazer uso, ou apenas o investidor e ex-piloto da Força Aérea de Israel Eytan Stibbe. Além dele, também fazem parte da missão Ax-1 o ex-astronauta da NASA Michael López-Alegría, o magnata imobiliário e piloto acrobático Larry Connor e o empresário de música e sustentabilidade Mark Pathy.

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