Nesta quarta-feira (14), a NASA divulgou que o Telescópio Espacial James Webb (JWST) atingiu mais um marco legal durante sua calibração de meses para se preparar para fazer observações no espaço profundo.

Segundo um comunicado emitido pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da agência, o último instrumento que falta ser resfriado a bordo do JWST – chamado Instrumento Infravermelho Médio (MIRI) – finalmente alcançou sua temperatura operacional de pouco acima do zero absoluto. O resfriamento bem-sucedido garante que o observatório espacial possa ser capaz de sondar objetos cósmicos em luz infravermelha.

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Lembrando que, além do MIRI, o telescópio James Webb transporta os seguintes instrumentos científicos: a Câmera Quase Infravermelha (NIRCam), o Espectrógrafo de Infravermelho Próximo (NIRSpec) e o Sensor de Orientação Fina / Imagem Quase Infravermelha e o Espectrógrafo Sem Fendas (FGS/NIRISS). Todos os instrumentos estão alojados no Módulo Integrado de Instrumentos Científicos (ISIM).

O telescópio vem esfriando desde seu lançamento, no Natal de 2021, buscando atingir as temperaturas frígidas necessárias para o MIRI detectar com precisão a luz infravermelha, que se manifesta como calor. 

De acordo com a equipe responsável pelo MRI, ele precisa estar em uma temperatura um pouco abaixo de 7 graus Kelvin, que é equivalente a menos 266 graus Celsius. E os complexos procedimentos de resfriamento estão indo muito bem, graças a muita prática dos cientistas.

O marco da temperatura é um momento chave no período de seis meses de duração do comissionamento do telescópio, para que seus espelhos estejam alinhados e seus instrumentos prontos para observações no espaço profundo. 

O Telescópio Espacial James Webb está finalizando seu processo de resfriamento. Imagem: Vadim Sadovski – Shutterstock

Os ajustes devem estar em andamento à medida que o telescópio esfria, pois às vezes os componentes se comportam ou se alinham de forma diferente em meio à queda das temperaturas. Até agora, no entanto, o comissionamento tem sido muito bem executado.

De acordo com o comunicado, o principal desafio do MIRI foi um marco chamado “ponto de aperto”, durante o qual o instrumento caiu de uma temperatura ligeiramente mais alta de 15 Kelvin (menos 285 graus Celsius) para a temperatura de operação super fria final. Esse “ponto de aperto” representa uma zona de transição durante a qual o criorefrigerador, que é necessário para levar o JWST à sua temperatura final, teve a menor capacidade de remover o calor.

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“A equipe de refrigeradores do MIRI trabalhou muito para desenvolver o procedimento para o ponto de aperto”, disse Analyn Schneider, gerente de projetos do MIRI na JPL, no mesmo comunicado”. Segundo Schneider, no fim, “foi uma execução do procedimento e o desempenho mais legal do que o esperado”.

As baixíssimas temperaturas do MIRI também são necessárias para superar o que os cientistas chamam de “corrente escura”, a corrente elétrica criada por átomos vibratórios nos detectores. Esses pequenos movimentos podem gerar sinais falsos nos dados do instrumento, estragando observações.

Apenas para garantir que o MIRI esteja se comportando corretamente, a equipe planeja mais imagens de teste de estrelas e outros objetos para testar sua calibração e desempenho. A calibração também está em andamento nos espelhos do telescópio e em outros três instrumentos, segundo a equipe, que pretende terminar seu trabalho até meados de junho.

Se tudo isso sair como o planejado, espera-se que um programa de “ciência precoce” (Ciclo 1) comece por volta de junho, com a ciência operacional “Ciclo 2” prevista para ter início em meados de 2023.

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