Entre os dias 3 e 15 de maio, a Rocket Lab lançará um foguete Electron que vai carregar um satélite da missão CAPSTONE, encomendada pela Advanced Space, em direção à Lua. E o mais interessante é que, ainda que não seja diretamente ligada ao Programa Artemis, da NASA, a missão acabará ajudando a agência espacial americana quando esta tentar levar o homem de volta à Lua entre 2025 e 2026.

A missão CAPSTONE (ou “Cislunar Autonomous Positioning System Technology Operations and Navigation Experiment”) tem por objetivo testar e confirmar a estabilidade pré-calculada do que se convém chamar de “órbita circular quase retilínea” (NRHO) projetada no espaço cislunar.

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O CTO da Advanced Space, Jeffrey Parker, explica detalhes da missão CAPSTONE ao senador John Hickenlooper, do Colorado, usando um modelo de tamanho real do satélite
O CTO da Advanced Space, Jeffrey Parker, explica detalhes da missão CAPSTONE ao senador John Hickenlooper, do Colorado, usando um modelo de tamanho real do satélite (Imagem: Advanced Space/Jason Johnson/Divulgação)

Essa mesma órbita nunca foi usada por nenhum artefato (satélites, sondas etc) ou espaçonave, então, por ora, ela é apenas “estimada”, não experimentada. Entretanto, a NRHO deverá ser usada pela Lunar Gateway, a pequena estação espacial que a NASA quer construir perto da Lua e que servirá como ponto para levar astronautas à superfície do nosso satélite.

“Estamos muito orgulhosos do progresso que a equipe CAPSTONE obteve”, disse o CEO da Advanced Space, Bradley Cheetham, em entrevista ao Space.com. “Por meio deste processo, nós já aprendemos muita coisa. À medida em que nos aproximamos do lançamento, estamos sempre nos lembrando que o CAPSTONE é apenas o início de um trabalho de exploração sustentável e desenvolvimento da Lua”.

Em termos leigos, uma NRHO é uma órbita estabilizada posicionada entre os pontos de Lagrange 1 e 2 (L1 e L2). Neste contexto, estamos falando de uma zona orbital onde a gravidade da Terra e da Lua são mais ou menos equilibradas, fazendo com que perturbações e turbulências sejam minimizadas, o que reduz o risco de desvio de espaçonaves e artefatos.

Normalmente, órbitas elípticas desse tipo são incrivelmente instáveis, com perturbações aumentando conforme uma nave avança nela. Isso exige um consumo maior de combustível propelente para estabilizar um objeto dentro de sua rota – algo pouco sustentável, já que combustível do tipo tende a ser bem caro e missões de reabastecimento são, no melhor dos cenários, complicadas. Uma NRHO, no entanto, reduziria grandemente esse consumo.

Outro aspecto importante da missão será a análise de comunicações nave-para-nave, onde o satélite da Advanced Space testará o envio e o recebimento de informações com o Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), que está posicionado na órbita da Lua desde 2009.

O satélite CAPSTONE é, essencialmente, um CubeSat avantajado, pesando mais ou menos 25 quilogramas (kg) – nada muito diferente de qualquer forno microondas que você tenha em casa. Ele será lançado da Nova Zelândia dentro da janela de calendário mencionada acima.

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