Essa história você certamente já conhece: 65 milhões de anos atrás, um asteroide com cerca de 10 quilômetros atingiu a Terra onde hoje é a Península de Yucatan, no México. O impacto devastou instantaneamente uma área a até 1.000 km de distância, provocou imensos tsunamis e cobriu o planeta com uma nuvem de poeira tóxica, extinguindo os dinossauros e grande parte das espécies existentes naquela época. Mas como será que a ciência chegou a essa conclusão tão trágica?

Cabeça reconstruída de um Pycnonemosaurus no Museu Nacional do Brasil. Imagem: Demetrius Will Lima

Por milênios, os fósseis de dinossauros alimentaram a curiosidade e a criatividade humana. Antigos chineses acreditavam que eram ossos de dragão. Já na Europa, alguns defendiam que eram ossos de gigantes e outras criaturas bíblicas. Havia inclusive uma teoria que dizia que a Terra seria oca e seu interior habitado por esses gigantescos seres, que por hora, seriam expelidos do subsolo, o que explicaria o fato dos fósseis de dinossauro serem encontrados há grandes profundidades.

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Com a descoberta da radioatividade no final do século XIX, surgiram os modernos métodos de datação de fósseis e rochas através da medição dos isótopos radioativos. Foi então que os paleontólogos concluíram que aqueles fósseis eram muito antigos mesmo. Mais ainda, com a datação de diversos fósseis de várias partes do mundo, foi possível perceber que os dinossauros surgiram cerca de 233 milhões de anos atrás. Por mais de 167 milhões de anos, eles reinaram absolutos, evoluíram e se diversificaram, e de repente, todos eles (menos os dinossauros avianos) desapareceram abruptamente da face da Terra há aproximadamente 65 milhões de anos. 

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Evolução dos dinossauros, com desaparecimento abrupto da maioria das espécies (menos as avianas) 65milhões de anos atrás – Créditos: Zureks, Woudloper, PePeEfe / wikimedia.org

Desde a década de 70, os cientistas tentam entender o que poderia ter causado a extinção repentina dos dinossauros e de grande parte das espécies existentes há 65 milhões de anos. Era certo, que pelas evidências geológicas encontradas em todo o planeta, o evento que teria provocado essa extinção teria que ser um evento de alcance global.

Alguns cientistas defendiam que isso poderia ter sido causado por mudanças climáticas provocadas por alterações nas correntes marítimas ocorridas devido a movimentação das placas tectônicas. Outra teoria muito aceita era que teria ocorrido uma grande erupção na Índia que teria coberto o planeta com cinzas e provocado alterações no clima que culminaram na grande extinção.

Mas na década de 80, Walter Alvarez propôs que um grande impacto poderia ter dizimado os dinossauros. Sua teoria ganhou força quando o iridium foi encontrado em amostras da camada geológica K-Pg. 

A crosta terrestre funciona como uma espécie de caixa preta, que guarda informações preciosas sobre a história geológica do nosso planeta. As mudanças climáticas, tsunamis, terremotos, erupções vulcânicas e tudo que acontece na superfície da Terra fica gravado nas rochas, formando camadas geológicas distintas na crosta. E quanto mais profunda a camada, mais antiga ela é.

Camadas geológias visíveis na Quebrada de las Conchas, Argentina. Imagem: Travel Way of Life – Creative Commons

Existe uma camada que marca o fim da era geológica do cretáceo e o início do paleogeno, a chamada camada K-Pg. Essa camada foi datada de aproximadamente 65 milhões de anos, e, ao encontrar iridium nesta camada o quebra-cabeças começou a se encaixar.

Acontece que o iridium é um metal que não é encontrado em grandes concentrações na superfície da Terra. Entretanto, é muito comum encontrá-lo em meteoritos. Seria uma evidência de que um grande impacto teria lançado poeira de meteorito por toda a atmosfera da Terra, que poderia ter resultado na extinção dos dinossauros e na formação da camada geológica K-Pg.

Formação rochosa em Drumheller, Canadá, onde a erosão expôs o limite entre Cretáceo e Paleogeno. Imagem: G Larson / wikimedia.org

Essa teoria seguiu sendo discutida e contestada por muito tempo, porque é assim que a ciência funciona. Mas em 1990 um grupo de cientistas encontrou na Península de Yucatan, no México, uma cratera com cerca de 180 km de diâmetro, então chamada de Cratera Chicxulub. E os estudos realizados na região, sugerem que a cratera teria sido provocada por um impacto ocorrido há 65 milhões de anos, mesma época da extinção dos dinossauros e da formação da camada K-Pg.

Estudos recentes mostram que o asteroide que atingiu uma região de oceano raso então provavelmente vaporizou uma grande quantidade de água e do subsolo, lançando na atmosfera uma poeira tóxica. Outra grande evidência nesse sentido é que a composição química do subsolo dessa região, coincide com os elementos encontrados em parte da camada K-Pg. 

Imagens de radar revelam a topografia do anel de 180 km da Cratera de Chicxulub – Créditos: NASA/JPL-Caltech

Além disso, essa camada geológica também apresenta grande quantidade de fósseis e microfósseis marinhos, indicando que grandes tsunamis varreram o globo exatamente 65 milhões de anos atrás.

Por fim, no ano passado foram encontradas grandes concentrações de iridium no subsolo da cratera Chixulub, reforçando a teoria do grande impacto, que hoje é praticamente um consenso entre os cientistas. 

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Ainda se discute se esse objeto seria um asteroide ou um cometa, e outros pormenores acerca destes eventos. Mas hoje temos evidências suficientes para afirmar, com grande grau de certeza, que um grande impacto ocorreu a 65 milhões de anos na península de Yucatán e provocou mudanças repentinas no clima do planeta, o que levou à extinção dos dinossauros e também de 75% das espécies existentes naquela época. 

Teoria do grande impacto como causadora da extinção do Cretáceo-Paleógeno atualmente é um consenso entre os cientistas. Imagem: NASA / Don Davis

Aquilo tudo foi muito ruim para eles, mas também permitiu que pequenos roedores que viviam no subsolo evoluíssem para a espécies inteligentes, e que atualmente, pela primeira vez na história do nosso planeta tem a capacidade de impedir que outra catástrofe como aquela ocorra novamente. E compreender as circunstâncias e a natureza daquele impacto que causou a extinção dos dinossauros é de fundamental importância nesse esforço. 

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